terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Manifesto Alternativa Libertária - Porto

"Nestes tempos de constante repressão, de liberdade e igualdade fictícia, em que as condições de vida se degradam e cada vez o desemprego e pobreza alastram a mais sectores da sociedade, ouvimos as mentiras dos nossos “representantes” em total passividade, sendo que a única certeza que temos é a da precariedade laboral, do aumento das horas de trabalho e do aumento do custo de vida, da perda de direitos e do aumento dos deveres cívicos. Sabemos também que enquanto assistirmos a todas estas desigualdades e injustiças pacificamente e sem nada fazer, não seremos mais do que escravos sociais, autênticas marionetas de um destino aleatório que não está ao nosso controlo, porque não nos esforçamos para que esteja.

Como grupo anarquista organizamo-nos numa estrutura horizontal, rejeitando qualquer princípio hierárquico ou vicioso. Somos um grupo aberto, aceitando todas as pessoas interessadas em trabalhar connosco desde que respeitem os nossos princípios funcionais e organizacionais.

Como anarquistas rejeitamos qualquer vanguarda iluminada que guie o povo e para qualquer rumo pré-definido que certamente, e como sempre acontece, favorece os poderosos em detrimento dos oprimidos. Assim sendo, não acreditamos em nenhum partido político, seja este de esquerda ou de direita, sendo que nenhum defende os verdadeiros interesses do povo, continuamente explorado e o manipulado, controlado a cada vez mais níveis, do alto do seu pedestal onde se encontram os políticos e os mais diversos interesses que à sua volta gravitam.

Rejeitamos toda a autoridade, seja esta de partidos políticos, instituições religiosas, forças policiais, etc. Rejeitamos também o capital como elemento que favorece a discriminação social e instiga tantas injustiças. Somos deste modo anti-autoritários, anti-estatais e anti-capitalistas.

Quando falamos de anarquismo, não falamos de um estado utópico em que tudo é perfeito, não falamos em caos ou desordem. Falamos sim em solidariedade e união, falamos na reivindicação activa dos nossos direitos, falamos na rejeição da autoridade ao serviço do poder, que nos torna em nada mais do que escravos do lucro, falamos em igualdade de direitos e deveres. Por anarquismo podemos depreender a não compactuação com injustiças, desigualdades sociais e discriminação.

Assim sendo, as pessoas devem tomar consciência que há mais para além da obediência cega generalizada, ou seja, há uma liberdade individual que é constantemente violada pela lei e pelo estado, sendo esta apoiada solidamente pela manipuladora comunicação social, que actua como a consciencializadora e (des)informadora por excelência do povo, fornecendo-lhe uma realidade distorcida, e actuando como uma mão invisível no controlo e manipulação das massas.

Pois enquanto as horas de trabalho aumentam, os salários estagnam e os direitos cessam, torna-se cada vez mais difícil viver dignamente. Ao mesmo tempo o terrorismo patronal aumenta, os patrões enriquecem e a procura do lucro é sobreposta à própria dignidade do trabalhador. A classe estudantil é ficticiamente apoiada e motivada de forma a seguir os seus estudos a nível superior com propinas exageradas para no final ser submetida a desemprego, e no caso menos mau, precariedade laboral, recibos verdes e instabilidade.

Enquanto trabalhadores e estudantes se continuarmos adormecidos e obedientes, desunidos e à espera que alguém nos liberte então nunca compreenderemos a verdadeira força que temos, uma força que nem as mais repressivas forças estatais conseguem controlar. Se não tomarmos consciência e não agirmos, nunca iremos sair da situação precária emque nos encontramos tod@s – a única solução é a união, a solidariedade, a luta e a revolta social."

al-porto@riseup.net

Solidariedade com o povo da Palestina


de M.H

SESSÃO SOBRE A PALESTINA - 6ª FEIRA, DIA 2, NA CREW HASSAN (Lisboa), ÀS 21,15h



SESSÃO SOBRE A PALESTINA
6ª FEIRA, DIA 2, NA CREW HASSAN, ÀS 21,15h
CREW HASSAN - RUA DAS PORTAS DE STº. ANTÃO, 159

CONVERSA SOBRE O DRAMA DO POVO PALESTINIANO

ANIMADA PELO MILITANTE DA CNT-PARIS, GEORGES, APOIANTE DA CAUSA DO POVO DA PALESTINA, COM
DIVERSAS VIAGENS DE SOLIDARIEDADE AO TERRITÓRIO, A ÚLTIMA DAS QUAIS HÁ
2 MESES.

INICIATIVA DA TERTÚLIA LIBERDADE - TERTULIALIBERDADE.BLOGSPOT.COM

PARTICIPA! DIVULGA!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Macacos 'vingam-se' e atacam treinador na China


Homem bateu num dos macacos com um pau, mas eles responderam.
Um dos macacos chegou a morder o treinador, segundo um jornal.

Após um dos macacos se recusar a andar de bicicleta durante uma apresentação na rua em Sizhou, na China, o treinador bateu nele com um pau. Porém, os outros dois macacos saíram em defesa do companheiro e atacaram o treinador, segundo o jornal "Telegraph".

De acordo com a reportagem, um dos macacos chegou a morder o treinador, enquanto o outro pegou no pau para atacá-lo. O jornal relata que testemunhas afirmaram que o macaco acertou na cabeça do treinador várias vezes com o pau, chegando a quebrá-lo.

O treinador teria dito para a plateia que acompanhava a apresentação que os "macacos poderiam acumular algum sentimento de ódio contra ele".

Segundo o jornal "Telegraph", a polícia local está a investigar alegações de maus-tratos. Apresentações com macacos são comuns em mercados e praças na China, mas organizações criticam o tratamento dado aos animais.

18 de dezembro de 2008

domingo, 28 de dezembro de 2008

Campanha contra o biotério animal da Azambuja!


Acção Animal (www.accaoanimal.com) inicia hoje (4 de Dezembro) uma campanha contra o novo Biotério Central da Azambuja (viveiro de animais para pesquisas), que terá uma capacidade de 20 000 a 25 000 animais que serão vendidos a universidades, institutos de investigação e empresas farmacêuticas. Custará 36 milhões de euros, dos quais 27 milhões são provenientes dos impostos pagos por todos.
Este dinheiro deve ser investido na investigação e implementação de novas alternativas e não no atraso da ciência.

Tendo em conta a ausência de ética e ineficácia existente na experimentação em animais, por favor não deixe de mostrar a sua indignação contra a construção do biotério, transmitindo a mensagem sugerida abaixo, por e-mail para:

geral@cm-azambuja.pt

com conhecimento para: geral@accaoanimal.com

Observação especial: Se não conseguir enviar por e-mail, utilize o formulário de contacto existente no site da CM Azambuja:

http://www.cm-azambuja.pt/azambuja/Geral/Contactenos

Pode ainda protestar por fax: 263 401 271
Ou por telefone: 263 400 400

sábado, 27 de dezembro de 2008

França ( Tarnac ) e o terrorismo de estado!


De 15 a 25 de Janeiro

Apoio aos acusados de Tarnac

10 dias de agitação contra as leis antiterroristas

A situação de Tarnac terá pelo menos uma vantagem, a de ter posto em causa e publicamente a forma como são aplicadas as leis antiterroristas.

E já o vimos!

Os objectivos reais e os poderes entregues a um Estado que se dotou de leis de excepção.

A necessidade da construção de um inimigo interior justificada pela questão da segurança.

No seguimento da danificação das catenárias do TGV, nove pessoas foram acusadas de associação de malfeitores com propósitos terroristas. E dois estão na prisão.

O que poderemos reter de toda esta história? A operação do tipo militar com o objectivo de encontrar os “suspeitos”, o circo mediático em torno da captura dos perigosos terroristas, o interrogatório dos suspeitos durante 4 dias seguidos, os dossiers incriminatórios vazios?

Tudo isto foi visto, dito e redito até à exaustão.

O esvaziamento da presunção da inocência? O delito de opinião? A vaga de indignação?

Esta será só mais uma notícia esquecida por uma actualidade que se quer sempre fresca.

Mas a ameaça permanece.

Ameaça que pesa sobre aqueles que continuam a ler, ver e escrever livros perigosos. Os que não se satisfazem com a ordem existente e que aí tentam encontrar as falhas. Os que, neste mundo, não conseguem conceber a própria existência sem a luta. Nós que, oficialmente, somos, doravante, os terroristas.

Existem, de facto, aspectos a compreender. A questão de Tarnac não é um erro judicial. Não somente, pelo menos. É uma ilustração, a mais flagrante por ser a primeira, daquilo que se tornou a lei no momento do antiterrorismo. Onde o estado de excepção cessa de ser uma profecia da eterna Cassandra, para se tornar efectiva e visivelmente o regime em que vivemos.

Por toda a França e em outros países, comités de apoio foram criados ou estão em formação. É primordial que tudo isto não desapareça numa indigestão de peru de Natal e de novas novidades.

Passadas as comemorações, prevemos que se organizem durante dez dias, de 15 a 25 de Janeiro, o máximo de iniciativas, concertos, projecções, debates, com o objectivo de fazer ressurgir esta questão, com o objectivo de serem reavaliadas as acusações que pesam por sobre os nossos companheiros e que sejam libertados os que se encontram presos. É necessário que esta operação do ministério do interior se transforme numa primeira e grande derrota para todos aqueles que querem criminalizar a acção política.

Isto permitirá igualmente anunciar e preparar uma grande manifestação nacional para dia 31 de Janeiro.

E se todas estas iniciativas permitirem também a recolha de fundos para o comité de apoio, tanto melhor, embora esse aspecto não seja o mais importante.

O sucesso destes 10 dias de solidariedade vai depender essencialmente da capacidade de mobilização dos que nos apoiam ou querem apoiar-nos.

Muito mais que ajuda, precisamos de iniciativas.

Não temos uma comissão nacional, temos poucos meios e ausência de uma coordenação permanente entre os diferentes comités. No entanto, alguns de nós poderão estabelecer ligações entre aqueles que se organizam, podendo nós, por outro lado, difundir a informação de forma mais alargada possível.

Quer dizer:

( 1 ) se forem suficientes numa cidade, constituam um comité de apoio que tenha a capacidade de trabalhar acções e notícias ao nível local. Enviem-nos um texto, um e-mail, uma data de reunião pública e nós divulgaremos no site;

(2) se dispõem de meios para organizar uma ou várias iniciativas nas referidas datas, nós anunciaremos. Poderemos igualmente fazer passar toda a informação e material necessário para uma conferência de imprensa e, eventualmente, participar caso possamos;

(3) se são um grupo de músicos sem espaço, ou um espaço sem grupo, nós trataremos de vos pôr em contacto uns com os outros

(4) Finalmente, poderemos concentrar-nos na organização de iniciativas de maior dimensão. Se conhecem outros grupos ou gerentes de auditórios de grandes dimensões, dispostos participar, podem fazer-nos chegar o respectivo contacto que será uma ajuda preciosa.

Pouco mais de um mês para organizar todas estas coisas, é muito curto. Há uma certa urgência.

Podemos mudar o vento. Criemos uma tempestade.

Sabotemos o antiterrorismo.

Contacto para a organização destes 10 dias de apoio ao caso de Tarnac:

soutienconcerts.tarnac@gmail.org

Para outro tipo de informação, o site na internet dos diferentes comités de apoio:

www.soutien11novembre.org

E para outras mensagens, ou simplesmente para te juntares à nossa mailing list e receber notícias:

11novembre-soutien@gmx.com

Não haverá natal este ano, a virgem maria teve um aborto


[Grécia] "Não haverá Natal neste ano, a Virgem Maria teve um aborto"

[Manifestação pela libertação dos presos e presas; fim as ocupações; bancos e lojas incendiadas; bomba à sede de partido de extrema direita. Esses fatos marcaram o 19º dia de protestos na Grécia, desde a morte do adolescente Alexis Grigoropoulos, no último dia 6, assassinado a tiros por um policial.]

Em Atenas, na véspera de Natal (24), milhares de pessoas participaram da passeata pela libertação e em solidariedade com todos os detidos e presos durante os protestos que aconteceram na Grécia desde a morte do jovem Alexis pela polícia, que provocou no país um dos tumultos mais sérios das últimas décadas. A manifestação foi pacífica e percorreu as ruas centrais e comerciais da capital.

Houve alguma tensão quando os manifestantes passaram em frente da Catedral de Atenas. Mas apenas aconteceram pichações nas colunas de mármore do edifício e lemas foram gritados contra a igreja e os sacerdotes. Um dos motes mais ecoados foi: "sacerdotes, ladrões, pedófilos". Uma bandeira grega foi queimada.

Depois da agitação, os funcionários da catedral cancelaram uma atividade natalina que estava programada para acontecer.

"Não haverá Natal neste ano, a Virgem teve um aborto", foi uma das frases mais pichadas ontem pelo centro de Atenas.

As palavras de ordem gritadas durante o protesto foram muito originais e não só contra o Estado nem contra os policias, mas também contra o consumismo e esses que continuam fechando os seus olhos para os acontecimentos e foram fazer suas compras de natal, como nada tivesse acontecido.

Temendo uma investida dos manifestantes, a polícia de choque isolou o quarteirão central de Syntagma para proteger a árvore de Natal, a principal da capital, que substitui uma queimada por manifestantes há duas semanas.

O protesto acabou sem muitos incidentes, apesar da forte presença das forças policiais gregas.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955388

Presos e presas

As pessoas que foram detidas e agora estão em prisão, esperando julgamento (que pode durar vários meses), soltaram um comunicado ontem (24), que concluía: "Podem prender os nossos corpos, mas nossas mentes e espírito estão livres e lutando com os que estão fora".

Fim as ocupações, mas a luta continua

Na Universidade Politécnica houve uma nova assembléia, depois da manifestação. A assembléia decidiu acabar a ocupação (mas não a luta) à meia-noite.

Os ocupantes da Universidade Econômica (ASOEE) também decidiram acabar a ocupação.

Ambas as ocupações (junto com a Faculdade de Direito) foram mantidas por 18 dias, e apesar dos ataques freqüentes dos policiais e da imprensa, teve uma parcela de participação muito grande nas revoltas.

Assembléias populares convocaram as pessoas a participarem da manifestação do dia 27, sábado, pela libertação das pessoas presas.

Mais ações

Em Ptolemaida, uma árvore de natal (como aconteceu em Loannina) foi decorada com fotos de Alexis e mensagens de protestos.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955106

Na ponte de Gorgopotamos, uma faixa grande foi pendurada, com o escrito: "Ficar sentando no seu sofá é cumplicidade".

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=955036

Sede do LAOS é atacada

Um grupo de anarquista chamado "Insurreição Incendiária Noturna", assumiu a responsabilidade por um ataque à bomba contra uma sede do partido grego Aliança Popular Ortodoxa (LAOS), no subúrbio de Alimos, no litoral, durante as primeiras horas desta quinta-feira (25). O explosivo caseiro, feito com várias latas de gás, causou estragos na sede deste partido de extrema-direita, mas nenhuma pessoa ficou ferida.

Lojas, bancos e um edifício do governo incediados

Três concessionárias estrangeiras de automóveis, uma agência bancária e um edifício do governo foram incendiados na madrugada desta quinta-feira (25) em Atenas.

O primeiro ataque ocorreu contra a entrada de um banco no bairro Palio Faliro, zona sul da capital. Anarquistas explodiram uma bomba feita com um butijão de gás e destruíram parte da agência.

Duas horas depois, anarquistas atiraram latas de gás em três carros de uma concessionária da Citroën, no centro de Atenas.

Três carros da concessionária da Opel (marca da GM) também foram atingidos.

agência de notícias anarquistas-ana

urubus desenham
no teto cinza da tarde
lentas espirais

Zemaria Pinto

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Concertos na KyläKancra - 27 e 29 de Dezembro


Concertos na kylakancra:

sabado dia 27, 20h:
ponkies (punk infantil, lx);
companhia da rua do metro (interventivo,lx);
unha negra (punk rock experimental, lx);
raiz de familia (street reggae, lx);
insulto (punk da casa).

segunda dia 29, 20h:
hysteria (grind crust, holanda);
massey ferguson (crust,alentejo);
2semicolcheiasinvertidas (experimental,lx)
aparece e divulga

Na KylaKancra
Vila okupada

à saída de Setúbal (Vale de Ana Gomes)
ver mapa

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ilustração de Inx.

[Grécia] Apesar da aparente trégua, os protestos continuam

Nesta terça-feira (23), milhares de estudantes e ocupantes de entidades universitárias saíram às ruas de Atenas, na terceira semana de protestos. No início da manifestação, em frente à reitoria da Universidade de Atenas, manifestantes tombaram um carro da polícia. Perto do Parlamento, os manifestantes atearam fogo em uma máscara que representava a cabeça de um porco, com um chapéu policial, gritando palavras de ordem como "policiais, porcos, assassinos" e "abaixo o governo do novo terrorismo", muitos empunhavam bandeiras pretas e vermelhas.

Na madrugada, um homem não-identificado atirou contra um ônibus que levava 19 policiais da brigadas antidistúrbios e estava parado no sinal vermelho, no bairro de Gudi, diante de um campus universitário. Duas balas atingiram o ônibus, furando um pneu, mas ninguém se feriu. A polícia investiga o caso. Manifestantes acreditam que tudo não passa de armação policial ou direitista para incriminar os universitários ocupantes.

No bairro de Nea Filadélfia (Atenas), uma passeata aconteceu no final da tarde, organizada pelo Centro Cultural Ocupado do bairro. Diversos lemas foram pichados nas paredes, janelas de bancos e algumas câmeras de vigilância foram quebradas. A marcha foi seguida por um numeroso contingente policial. Quando o protesto alcançou a delegacia local, mais policiais apareceram. Os manifestantes reagiram jogando tinta, pedras, ovos e laranjas contra as forças da ordem, que responderam com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Os residentes e transeuntes do bairro pediam para os policiais irem embora do local. Após o protesto, os manifestantes organizaram uma assembléia para decidir mais ações.

Em Serres, uma faixa enorme foi erguida de noite na Acrópoles da cidade, em que estava escrito: "Não os deixe humilhá-los, resista!. Liberdade para todos os detidos já!".

Ontem, em assembléia, os estudantes do ensino médio deram por encerrado o primeiro ciclo de protestos pela morte de Alexis a tiros pela polícia, a violência policial, contra o sistema de ensino, e contra os reduzidos fundos estatais para o setor, e decidiram retomar as manifestações no próximo dia 9 de janeiro.

Durante assembléia de ontem (23) e conversas sobre o futuro da ocupação da Universidade Politécnica, havia rumores que a Tropa de Choque poderia invadir e esvaziar o campus a qualquer instante. Embora os ocupantes já tivessem decidido acabar a ocupação, esta ameaça da polícia os fizeram mudar de idéia. Muitas pessoas chegaram à universidade para defendê-los, e apesar de que a polícia realizasse rondas em torno da universidade, não fizeram nenhum movimento mais brusco.

Na assembléia, os ocupantes explicaram que os policiais não irão tomar conta da universidade, e que a última palavra de quando a ocupação acabará será dos manifestantes. "Acabará quando os ocupantes decidirem e as ameaças dos policiais somente nos fazem mais fortes e mais zangados!".

Já a assembléia dos ocupantes da Faculdade de Direito decidiu que a ocupação da escola acabou. Contudo, um número de ocupantes não concordou com a decisão e querem permanecer no edifício.

Novas assembléias vão acontecer hoje (24) para decidir se as ocupações, de quase 100 faculdades, continuam ou chegam ao fim.

O fim das ocupações dos departamentos universitários não quer dizer o fim dos protestos, mas o cansaço é inevitável e grande, depois de dias de mobilizações, atos, confrontos, pessoas presas, feridas...

Hoje (24) pela manhã, na cidade de Volos, uma rádio municipal e os escritórios do jornal "Thessalia", foram ocupados. Na rádio, ocupado por 30 minutos, foram lidos textos que pediam a libertação das pessoas presas durante os protestos.

Ontem (23), nessa mesma cidade, Volos, num teatro local, um espetáculo teatral foi interrompido, e em seguida sucedeu a leitura de cartas que reivindicavam a libertação de todos os detidos, sem cargas.

No bairro de Alimos, pela manhã de hoje (24), o Centro Cultual Municipal foi ocupado. O equipamento de som foi re-apropriado e lidas várias decisões da Iniciativa Cidadã do bairro: liberdade para todos os detidos; que se retirem as armas dos policiais; que retirem a lei antiterrorista.

Ainda hoje (24) acontecerá em Atenas manifestações de solidariedade com os prisioneiros em frente aos tribunais para pedir a libertação dos apreendidos. Há uma batalha para libertar os mais de 200 detidos, e esse número pode ser bem maior, já que é difícil obter números exatos sobre os detidos e presos em todo o país.

agência de notícias anarquistas-ana

luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

O espectro da liberdade surge sempre com uma faca nos dentes


Ao contrário do que nos querem fazer crer os meios de comunicação, o assassinato, às mãos da polícia grega, no passado dia 6 de Dezembro, do jovem de 15 anos Alexandros Grigoropoulos (Alexis) não foi um incidente isolado. Tratou-se, antes, duma explosão do Estado repressivo que, de forma sistemática e organizada, aponta para os que resistem, os que se revoltam, os que combatem o estado actual das coisas e a autoridade que lhe dá corpo. Tratou-se, enfim, da escalada do ataque generalizado a toda a sociedade, que pretende impor formas mais rígidas de controlo e exploração e que se reflecte diariamente nos “acidentes de trabalho”, na perseguição e encarceramento de imigrantes, na pobreza, na exclusão social, na chantagem para que nos integremos num mundo de divisões sociais, todos crimes daquilo a que, geralmente, se chama o Sistema.

Tudo, claro, bem regado pela guerra ideológica coordenada entre os mecanismos dominantes de comunicação e os poderes, que nos convencem de que não há alternativa, pelo menos até que uma crise ponha a nu as contradições do seu modelo, altura em que decidem que serão novamente eles, os arquitectos do modelo falhado, a guiar-nos para novos paradigmas.

Das escolas transformadas em armazéns de putos, às universidades onde se tenta criar carreiristas acríticos, passando pelos espaços tétricos da escravidão assalariada em que nos encerram e pelas fronteiras de arame farpado onde se impede que os deserdados apoquentem o banquete, a democracia e o capitalismo mostram a sua verdadeira face.

Da mesma forma, as chamas nas ruas de várias cidades gregas não são uma uma resposta unicamente direccionada ao assassinato policial. Sem o sufoco social crescente que acompanha a raiva que agudiza a revolta contra a norte de Alexis, não haveria essa característica fundamental que os protestos gregos trazem em si, a de se voltarem contra a estrutura vigente e não apenas contra a conjuntura governamental ou repressiva do momento.

Neste contexto, as pedras arrancadas das ruas gregas e atiradas à polícia ou às catedrais do mundo-feira, as garrafas ardentes que recortam os céus, as universidades ocupadas e transformadas em assembleias de debate aberto, todas as acções e tentativas, são pedaços do mundo insubmisso, livre, fraterno e justo com que, eles e nós, sonhamos. A sua coragem para continuarem a resistir apesar da porrada, da prisão, das nuvens de gás lacrimogéneo e das balas, são um exemplo para que não nos calemos nunca perante o medo e o silêncio que nos querem impor e que, ao invés, os utilizemos como detonador do levantamento contra o terrorismo de legal que pratica o Estado e da criação de algo novo, fundado em novos princípios.

Utilizando as leis “anti-terroristas” que, por toda a europa, se têm imposto da forma como sempre as têm utilizado, as autoridades estão, neste preciso momento, a deter os que lutam e a confrontá-los com acusações como “associação criminosa”, num ambiente devidamente temperado pelos meios de comunicação, verdadeiros guardiões do status quo, que, com a sua propaganda que vê “violência” numa montra partida e “normalidade” num ser humano a morrer à fome, pavimenta o caminho à repressão, de forma a que tudo volte à fatalidade da injustiça e da submissão.

Daqui, queremos deixar bem claro que não temos dúvidas sobre o lado em que estamos. Ao lado dos que apelam “não deixem este hálito flamejante de poesia atenuar-se ou extinguir-se”. Solidários com os que lutam, com os detidos nos confrontos dos últimos dias, com todos os que se juntaram à mesma luta no Chipre, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, França, Itália, Polónia, Turquia, Estados Unidos, Irlanda, Suécia, Suíça, Austrália, Eslováquia, Croácia, Rússia, Bulgária, Roménia, Bélgica, Nova Zelândia, Argentina, México, Chile e, certamente, muitos outros locais deste planeta que é nosso.

Solidariedade mundo fora com a rebelião grega


[A seguir um informe parcial das atividades no "Dia Internacional de Ação" em solidariedade a rebelião popular na Grécia e contra os crimes e assassinatos cometidos pelo Estado em todo o mundo, que aconteceu neste último sábado (20).]

Argentina

Buenos Aires: por volta das 2h30 da madrugada de sábado, anarquistas detonaram dois explosivos na porta de entrada da embaixada grega.

Brasil

São Paulo (SP): foi realizada uma concentração em frente ao edifício onde está localizado o Consulado da Grécia, e estendida uma faixa na sacada do prédio com a frase: "Governos respeitam a vida? Pense nisso". Também foram distribuídos folhetos informativos.
Fotos: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/12/435749.shtml

Belo Horizonte (MG): colagem de cartazes pelo centro da cidade.
Fotos: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/12/435833.shtml

México

Cidade do México: Perto de 100 pessoas se reuniram diante da Embaixada da Grécia em apoio à resistência grega e em repúdio ao assassinato do jovem Alexandros Grigoropoulos.
Fotos: http://www.kaosenlared.net/noticia/desde-mexico-df-justicia-para-alexandros-viva-revuelta-popular-griega

Estados Unidos

São Francisco: aproximadamente cem pessoas realizaram uma manifestação bastante agitada no centro da cidade, com faixas, bandeiras, pichações... Seis pessoas foram presas por "vandalismo".
Fotos: http://www.indybay.org/newsitems/2008/12/21/18555981.php
Nova York: reunião em solidariedade com os rebeldes gregos na New School University ocupada.
Boston: anarquistas organizaram uma marcha pelo centro da cidade, tomada pela neve. A polícia fustigou o protesto em vários momentos da passeata.

Portland: cerca de 40 pessoas marcharam pelas ruas no centro da cidade, numa noite de sábado carregada de neve, em solidariedade com a insurreição na Grécia e contra a repressão de Estado em todas as partes.
Fotos: http://portland.indymedia.org/en/2008/12/383949.shtml

Modesto: aproximadamente 25 pessoas tomaram às ruas do centro da cidade. Os manifestantes seguraram uma faixa grande em que se podia ler: "Solidariedade Com a Grécia! Pela Resistência Global!"

Toledo: Perto de 20 anarquistas se manifestaram pelo centro da cidade, debaixo de muita neve, em solidariedade com os companheiros gregos, e também para protestar contra a brutalidade da polícia na cidade.
Fotos: http://news.infoshop.org/article.php?story=20081220145242630

Denver: foram espalhados alguns banners em solidariedade com a luta na Grécia em pontos estratégicos da cidade.

Tacoma: dois postos da Shell e da Chevron foram atacados e pichados com mensagens de solidariedade à luta na Grécia.

St. Louis: aproximadamente 40 pessoas organizaram um ato na Cidade Universitária.

Kansas City: a Embaixada do México foi pichada em solidariedade com as lutas na Grécia. Também foram pichadas frases alusivas a Chiapas.

Rochester: Estudantes para uma Sociedade Democrática organizaram uma marcha no centro da cidade para apoiar a rebelião que acontece na Grécia. Foi entregue um comunicado aos meios de comunicação corporativos, condenando o assassinato de Alexandros Grigoropoulos, e que a mídia local cubra os protestos na Grécia.

Carrboro: foram fixadas em pontos movimentados da cidade faixas de solidariedade com a rebelião atual na Grécia.
Fotos: http://news.infoshop.org/article.php?story=20081221194616115

Suíça

Zurique: cerca de quarenta anarquistas arremessaram bombas de tinta e ocuparam o consulado grego.

Alemanha


Hamburgo: cerca de mil pessoas se reuniram numa passeata para se manifestar sob o lema "solidariedade é uma arma", o plano inicial era marchar desde a universidade até a estação central ferroviária. No entanto, a marcha foi interrompida pela polícia depois que foram lançadas garrafas e foguetes. Uma vez dissolvida a manifestação, pequenos grupos de participantes da mesma se dirigiram ao centro da cidade, onde atacaram membros da polícia e atearam fogo a contêineres de lixo.
Fotos: http://de.indymedia.org/2008/12/237139.shtml

Offemburg: aproximadamente quarenta pessoas demonstraram no centro da cidade sua solidariedade com a revolta na Grécia. Foram distribuídos folhetos aos transeuntes.

Estrasburgo: concentração na frente do consulado grego, e distribuição de folhetos informativos, pichações foram feitas em algumas ruas da cidade.

Sibéria/Rússia


Barnaul: apesar do intenso frio, aconteceu uma manifestação pelo centro da cidade, que foi duramente reprimida pela polícia. Aproximadamente 10 pessoas foram presas.

Irkutsk: anarquistas distribuíram folhetos na Universidade Politécnica.

Tyumen: anarquistas ergueram uma bandeira preta no telhado de edifício abandonado do Instituto Técnico Construção de Máquinas e folhetos informativos foram distribuídos para as pessoas.

São Petersburgo: um banco foi atacado com bexigas de tinta. Os anarquistas também deixaram no local folhetos contra a violência de Estado.

Irlanda


Dublin: manifestação de rua em solidariedade com os rebeldes gregos. Cerca de cinqüenta pessoas participaram com faixas e bandeiras.
Fotos: http://www.indymedia.ie/article/90269

Dinamarca


Copenhague: manifestação agitada na frente da embaixada da Grécia.

Chipre

Nicósia: manifestação de solidariedade no centro da cidade.

França

Toulouse: aproximadamente cem pessoas participaram de um ato em solidariedade com os rebeldes gregos, que acabou se convertendo numa manifestação de desempregados e de precários em luta, ao final do ato 300 pessoas bloquearam as entradas da Megastore Virgem.

Montauban: distribuição de folhetos em solidariedade com as lutas na Grécia no centro da cidade.

Paris: grupos de anarquistas distribuíram folhetos pelo centro da cidade.

Lyon: manifestação agitada com aproximadamente cem pessoas até a prefeitura, pichando lojas e explodindo fogos de artifício.

Islândia

Reykjavik: manifestação com faixas no centro da cidade.
Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=951946

Inglaterra

Londres: o Centro de Cultura Helênica foi atacado com tinta vermelha.

Itália

Perugia: o Consulado grego foi atacado com bombas de tinta.

Nápoles: manifestação no centro da cidade.
Roma: a Embaixada grega foi atacada com um explosivo.

Milão: manifestação de rua agitada em solidariedade com os rebeldes gregos.
Fotos: http://lombardia.indymedia.org/node/11853

Lecce: marcha pelo centro da cidade.
Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=953039

Bologna: bomba contra o Banco Unicredit.

Espanha

Valladolid: entre 80 e 100 pessoas se reuniram na Praça Fuente Dorada para mostrar sua solidariedade com a revolta na Grécia, assim como com os detidos de Madri, Grécia e de todas partes do mundo.

Bilbao: foi organizada uma concentração na Praça Unamuno, com a assistência de cerca de 30 pessoas. Foram distribuídos folhetos aos passantes. No final foram afixadas faixas na Praça.

Barcelona: centenas de pessoas participaram da manifestação em apoio a rebelião grega. a polícia reprimiu o protesto e algumas pessoas foram detidas.

Turquia

Istambul: manifestação com centenas de pessoas pelo centro da cidade em solidariedade com a rebelião grega.
Fotos: http://www.ahali.info/

Ankara: manifestação pelas ruas centrais da cidade, até a Embaixada grega, cercada por um grande contingente policial.
Fotos: http://istanbul.indymedia.org/news/2008/12/253091.php

Eslovênia

Lubiana: manifestação no centro da cidade.
Fotos: http://foto-infoshop.blogspot.com/2008/12/shod-protesta-in-solidarnosti-danes.html
http://foto-infoshop.blogspot.com/2008/12/fotogalerija-02-shod-danes-grija-jutri.html

Sérvia

Belgrado: concentração em frente ao Consulado grego e pichações pela cidade.
Fotos: http://inicijativa.org/grcka/node/46

Croácia

Zagreb: concentração em frente à embaixada grega.
Fotos: http://masa-hr.org/content/solidarnost-s-grckom-akcije-podrske-u-hrvatskoj

Portugal

Amadora: foram entregues folhetos aos transeuntes, e feitas algumas pichações, e deixada uma faixa na Amadora, em solidariedade com a revolta estudantil grega.
Fotos: http://nel-a.blogspot.com/

Lisboa: uma manifestação de solidariedade seguiu até o Terreiro do Paço. Pelo caminho, parou-se o trânsito, picharam-se bancos, lojas e um carro da polícia com mensagens de apoio à insurreição que se sente e vive na Grécia desde a morte de Alexis Grigoropoulos.
Fotos: http://contraocapital.blogspot.com/2008/12/lisboa-manifestao-de-solidariedade-com.html

Austrália

Melbourn: foi organizado um ato de rua.
Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=952058

agência de notícias anarquistas-ana

sonho colorido
o sol dança com a lua
você comigo

Carlos Seabra

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Desde a Grécia: Apelo a uma Nova Internacional

Os políticos e jornalistas ridicularizam nosso movimento, tratando de impor a ele a sua própria carência de racionalidade. Segundo eles, nos rebelamos porque nosso governo é corrupto, ou porque gostaríamos de ter acesso a mais dinheiro, mais emprego.

Arrasamos os bancos porque reconhecemos o dinheiro como causa central de nossas aflições, se quebramos as luzes das vitrines não é porque a vida seja cara senão porque a mercadoria nos impede de viver a qualquer preço. Se atacamos a escória policial, não é só em vingança por nossos companheiros mortos senão porque entre este mundo e o que desejamos, sempre se supõe existir um obstáculo.

Sabemos que é chegado o momento de pensar estrategicamente. Neste momento tão importante sabemos que a condição indispensável de uma insurreição vitoriosa é que ela se estenda, ao menos, em nível europeu. Nos últimos anos temos visto e temos aprendido: as contra-cúpulas pelo mundo, os distúrbios estudantis e nos subúrbios da França, o movimento anti-TAV na Itália, a Comuna de Oaxaca, os distúrbios de Montreal, a agressiva defesa do Ungdomshuset em Copenhague, os distúrbios contra a Convenção Nacional Republicana nos Estados Unidos, e a lista continua.

Nascidos na catástrofe, somos os filhos de una crise global: política, social, econômica e ecológica. Sabemos que este mundo é um caldeirão sem saída. Há que se estar louco para agarrar-se a suas ruínas. Deve ser concertado para auto organizar-se.

Há uma obviedade na recusa total aos partidos e organizações políticas; são parte do velho mundo. Somos os filhos malcriados desta sociedade e não queremos nada dela. Esse é o pecado que nunca nos perdoarão. Atrás das máscaras negras, somos vossos filhos. E estamos nos organizando.

Não nos esforçaríamos tanto em destruir o material deste mundo, seus bancos, seus supermercados, suas delegacias, se não soubéssemos que ao mesmo tempo socávamos sua metafísica, seus ideais, suas idéias e sua lógica.

Os meios de comunicação descreveram todo o ocorrido nas semanas passadas como uma expressão de niilismo. O que não entendem é que no processo de assalto e assédio a sua realidade, temos experimentado uma forma de comunidade superior, de divisão, uma forma superior de organização alegre e espontânea que estabelece a base de um mundo distinto.

Qualquer um poderia dizer que nossa revolta encontra seu próprio fim na medida em que se limita a destruição. Isto seria certo no caso de que junto aos enfrentamentos nas ruas, não houvéssemos estabelecido a necessária organização que requer um movimento a longo prazo: cantinas providas por saques regulares, enfermarias para curar aos nossos feridos, os meios para imprimir nossos próprios jornais, nossa própria rádio. A medida que liberamos território do império do Estado e sua polícia, devemos ocupá-lo, preenchê-lo e transformar seus usos de maneira que sirvam ao movimento. Deste modo, o movimento nunca para de crescer

Por toda Europa, os governos tremem. Asseguramos que o que mais temem não é que se reproduzam os distúrbios locais senão a possibilidade real de que a juventude ocidental encontre suas causas comuns e se levante como uma só para dar a esta sociedade seu golpe final.

Esta convocação vai dirigida a todos que queiram escutá-la:

Desde Berlim a Madri, de Londres a Tarnac, tudo é possível.

A solidariedade deve transformar-se em cumplicidade. Os enfrentamentos devem expandir-se. Devem declarar-se as comunas.

Desta forma, a situação nunca retornará a normalidade. Desta maneira as idéias e práticas que nos unem serão laços reais.

Deste modo seremos ingovernáveis.

Uma saudação revolucionária aos companheiros de todo o mundo. Aos detidos, os libertaremos!


agência de notícias anarquistas-ana


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Noite Punk na Kiläkancra (Setúbal) - 27 de Dezembro

Na KylaKancra
Vila okupada

à saída de Setúbal (Vale de Ana Gomes)

Carlos Vive! - Concertos e lançamento de Compilação Antifascista - 27 de Dezembro - Casa Viva (Porto)

VIVA A BOLOTA! ABAIXO A CRISE!!! - 27 Dezembro - Porto

“VIVA A BOLOTA! ABAIXO A CRISE!!!”
Workshop e receitas culinárias de sobrevivência

-SÁBADO 27/12/2008 – sede da Terra Viva (R. Caldeireiros, 213 – Porto - à Cordoaria)

- Taxa de participação solidária: 2,50 Eur. *-



17.00 -OFICINA de UTILIZAÇÃO (Moagem primitiva) e RECEITAS de BOLOTAS (sobreiro e carvalho)

20.00 -JANTAR VEGETARIANO E SOLIDÁRIO (de BOLOTAS – sopa, guisado, sobremesa…) – com informação sobre próximas actividades da Terra Viva! e de outros colectivos do Porto.

ESTA ACTIVIDADE DESTINA-SE TAMBÉM A APOIAR O FINANCIAMENTO DOS CUSTOS DO ESPAÇO DA ASSOCIAÇÃO, TAMBÉM ELA TOCADA PELAS DIFICULDADES DA “CRISE”…

*
se cada interessad@ trouxer uma pedra grande chata e outra mais roliça e pesada –por exemplo,seixo pesado de uma praia ou rio (moínho primitivo) +
1 kg. de bolotas de sobreiro, tem um desconto de 0,50 .

INSCRIÇÕES (ATÉ SÁBADO ÀS 16.00 h.) :


terraviva@aeiou.pt - 967694816 - 4ª, 5ª e 6º, 15-19.00h
- sede: R.Caldeireiros, 213- Porto

Iniciativa:

TERRA VIVA!Terra Vivente –Associação de Ecologia Social - PORTO

http://terraviva.weblog.com.pt/

23 de Dezembro - Festival Matanças, Casa Viva, Porto


3ª, 23 dezembro 17h00 entrada livre

É com imenso prazer que anunciamos a primeira edição do festival MATANÇAS 2008!, um festival inteiramente dedicado à subversão da época natalícia. Numa época em que o consumismo assume especial morbidez, com os centros comerciais ainda mais cheios, o bombardeamento de falsas campanhas de solidariedade e um sinistro apelo à paz pelos mentores da guerra, apresentamos algumas propostas para um natal pior.


17h00 filmes: várias surpresas...


18h00 concertos:


Lost Gorbachevs (jazz anarco satânico)
Cabidela (black metal espectralista)
Morte Shopping (pop dodecafónico)
Brutos da Natureza (new age revolucionário e agressivo)
Besta Bode (psychic death/math shock)

22h00 Jantar Vegetariano: tragam comida e bebida


loja livre: troca directa de livros, discos, brinquedos, roupas e afins

Mobilizações na Grécia continuam



Até hoje pela manhã, havia lutas ao redor da Universidade Politécnica em Atenas. Algumas centenas de manifestantes permaneceram no edifício toda a noite e ataques esporádicos foram feitos com pedras e coquetéis molotov às forças da ordem que tinham cercado a universidade. Os antidistúrbios lançaram quilos de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, muitos, dentro da universidade.

Sucedeu uma assembléia dos ocupantes e solidários e se decidiu continuar com a ocupação. Desta forma a ocupação permanece e, ainda, chamaram uma exposição artística em benefício/solidariedade com os detidos nesta segunda-feira (22).

Também em Atenas, ontem (21), aconteceu uma manifestação em Kaisariani, com cerca de 200 pessoas, algumas máquinas eletrônicas ATM foram bloqueadas.

Em Ilion, teve duas manifestações separadas, uma chamada por esquerdistas e outra por anarquistas. Posteriormente, 4 bancos, um posto governamental de desempregados e algumas sedes do partido governamental foram atacadas e suas janelas e câmeras de vigilância esmagadas.

Ontem (21) à tarde foi posto fim na ocupação do edifício da GSEE (Confederação Geral dos Trabalhadores), com a entrega do edifício aos membros do sindicato pelego. Logo após cerca de 400 pessoas realizaram uma manifestação em direção à Escola Politécnica (também ocupada) gritando: "O GSEE tornar-se-á um sindicato combativo, em sua segunda ocupação que será para sempre".

Também na assembléia de ontem (21), foi decidida a realização de uma manifestação na quarta-feira (24), no centro de Atenas.

As assembléias das faculdades ocupadas fizeram um chamado para uma manifestação amanhã, às 14hs, em Propilea.

Ontem (21), foram executadas intervenções em mais de 15 espetáculos de teatro. Cerca de 100 pessoas, em sua maioria estudantes de belas artes, de teatro etc., interviram desde às 19h30 até às 23h:30, em Propilea, interrompendo as apresentações teatrais com faixas e lendo textos.

Companheiros também realizaram intervenções na cidade de Volos, no Teatro Municipal, durante a inauguração do Festival de Música da cidade.

Ontem (21) em Tessalônica, aconteceu uma assembléia dentro de uma igreja. Os manifestantes entraram para se proteger do frio e depois discutiram sobre mais ações e protestos para os próximos dias.

Na madrugada de domingo para segunda foram registrados no centro de Atenas ataques contra bancos e algumas câmeras de vigilância.

Em Nea Filadélfia, 6 carros de patrulha foram destruídos.

Em Nea Lonia, o ataque foi contra um banco.

Em Virona, 2 carros foram queimados.

Em Iraklito, 2 bancos e um carro foram atacados.

Em Tessalônica, membros da Iniciativa Cidadã de Bairro Ano Poli, ocuparam hoje (22) de manhã a biblioteca pública do bairro, com a intenção de utilizá-la como centro de contrainformação e ponto de encontro assembleário.

Alguns comentários de um arqueólogo brasileiro em Atenas

Os anarquistas estiveram por muitos anos a um passo da revolução na Grécia. O bairro anarquista, que por sinal é o mesmo bairro da Escola Francesa de Arqueologia, é cotidianamente vigiado por guardas com espingardas enormes. Há muita pichação, cartazes e bandeiras vermelhas e pretas. Há também as livrarias e gráficas que editam Malatesta e Bakunin em grego e estão sempre movimentadas, apesar de serem extremamente humildes. O partido comunista governou o país por décadas e agora se confunde com o atual governo social-democrata (qual é mesmo a diferença entre estas corjas de mandões?). A realidade é distante para a maioria de nós, mas, por causa de meus estudos, tenho ido à Grécia de dois em dois anos desde 2002 e posso dizer que a entrada na Comunidade Européia parece ter feito muito mal às pessoas que vivem lá. O grego pau-pra-toda- obra, músico ou pescador que lotava os cafés nos fins-de-tarde e que via a vida passar com olhos de eternidade, se fez um catador de lixo, como estes que vemos em todas as cidades Brasileiras de grande porte (em São Raimundo Nonato, por exemplo, não existem catadores de lixo, pois não há quase nada no lixo que possa ser aproveitado) . O povo grego cata coisas no lixo e a polícia é de uma violência digna da PM brasileira com os moradores de rua e com os imigrantes albaneses (na Grécia, quase todos os imigrantes vêm da Albânia).

As imediações do museu nacional de Atenas, área nobre ao lado da Escola Politécnica que agora é ocupada pelos revolucionários, era em julho deste ano um lugar fedorento, repleto de mendigos enrolados em cobertores e de rodas de descolados de classe média-alta se injetando. Percebi que a moeda de troca por droga mais comum eram toca-fitas de carro. A situação que já era incômoda, parece ter ficado insustentável depois da entrada na UE, com a redução do grego à condição de mão-de-obra nos países mais abastados do bloco e com a perpetuação da presença colonialista de instituições inglesas, francesas, alemãs e também americanas, principalmente ligadas à arqueologia, que fazem da Grécia um laboratório, cultuando o mais profundo desprezo pelo modo de vida grego atual, tal como seus predecessores fizeram, desde o século XIX.

Não há dinheiro para nada. Cultura que conta com recursos é aquela destinada ao turismo, embora a manutenção dos sítios arqueológicos seja calamitosa. Para visitar a Lésche dos Cnídios em Delfos, ruínas do edifício que teria abrigado algumas das mais belas pinturas da Antigüidade, é preciso cortar mato com o peito. A ilha de Delos, onde nasceram os deuses Apolo e Ártemis, está tomada por ratos e também agride o turista mais curioso com seu mato espinhoso que não é cortado, pois não há funcionários para isso. Presenciei em 2006 uma operação de emergência em que arqueólogos e restauradores gregos foram deslocados de suas funções habituais para cortar mato.

Só aquilo que é absolutamente clichê, como a Acrópole e a Ágora de Atenas, recebem um tratamento cuidadoso. As obras de transporte e embelezamento feitas para as Olimpíadas de 2004 não esconderam a favela que cresce bem ao lado da Via Panatenaica, no bairro da Placa, onde perambulavam filósofos a caminho da Academia de Platão. Tentei ir até lá, mas a barra é tão pesada que voltei antes que ficasse sem o passaporte.

Isso não impressiona os arqueólogos do norte da Europa, acostumados a escavar na Turquia, em Gaza e no Egito. Mas há uma diferença entre estes lugares e a Grécia: o custo de vida. Não se vive com pouco dinheiro na Grécia, o que só piora a situação.

Há um sentido valoroso do movimento que já ganhou contornos de guerra civil: os estudantes estão do lado dos imigrantes. Há vários relatos de que o movimento se pôs contrário ao apartheid entre Gregos e não-gregos. O movimento é contrário ao Estado grego e pode ser o início de algo muito novo no mundo todo. Mesmo na Guerra civil espanhola havia uma liderança declarada e reconhecida. Na atual guerra civil grega não há "cabeças do movimento" e, por isso, a imprensa repete exaustivamente que os revoltosos não sabem o que querem, não têm nenhuma proposta.

Quem não sabe o que fazer ou a quem prender é o Estado e a polícia.

Abraços a todos.

P.

agência de notícias anarquistas-ana

Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas...

Paulo Franchetti

domingo, 21 de dezembro de 2008

Universidade Politécnica de Atenas ocupada sob ameaça! Tropa de Choque pode invadir o campus universitário a qualquer momento!


Universidade Politécnica de Atenas ocupada sob ameaça
Tropa de Choque pode invadir o campus universitário a qualquer momento

Há poucas horas atrás a Rádio Anarquista 68 FM divulgou uma nota explicando que o vice-reitor da Universidade Politécnica de Atenas anunciou às pessoas que estão ocupando a instituição que a partir de agora o campus não pertence mais a Universidade, e que a autoridade universitária foi transferida ao Ministério da Justiça.

De acordo com os ocupantes, a reação do vice-reitor é absurda e completamente ilegal, inclusive, indo contra suas próprias leis ("leis de asilo em campus"). Desta forma, é iminente a qualquer momento uma operação da Tropa de Choque da polícia grega dentro da Politécnica. Se isso acontecer, será a primeira vez na história que a polícia entrará na cidade universitária numa operação gigantesca sem a prévia permissão por parte do Senado.

Agora mesmo há uma assembléia geral na Politécnica de Atenas, em que está sendo discutido se os manifestantes abandonam ou não a ocupação.

A vingança da normalidade não passará, nem na Politécnica nem em qualquer outro lugar!

Domingo, 21 de dezembro de 2008.


Comunicado da Politécnica Ocupada de Atenas
emitido há pouco

Desde sábado, 20 de dezembro, depois dos enfrentamentos ao redor da Universidade Politécnica de Atenas (um dos tantos confrontos imensos entre manifestantes e a polícia que aconteceram depois do assassinato do jovem de 15 anos Alexandros Grigoropoulos), houve muita especulação sobre a ocupação da Politécnica de Atenas.

As informações que nos chegam sobre uma possível invasão da polícia na Politécnica ocupada, junto com a estratégia da polícia de choque pressagiam o óbvio: a polícia está se preparando para invadir a ocupação. Acenar ao Senado, e abandonar a Politécnica à polícia e ao Ministério de Interior, o procurador geral da justiça nos enviou uma mensagem pouco clara, que soa a ameaça e a chantagem, segundo o qual temos "algumas poucas horas" mais.

Respondemos que o tempo que temos a mais será o que decidir a parte sublevada da sociedade, e que esta não aceita ultimatos. Que mais bem eles devem respeitar e temer a todos os que participaram, participam e continuam participando na revolta. São exatamente eles, os milhares de sublevados, de estudantes, trabalhadores, desempregados, imigrantes e companheiros aos que chamamos a estar em alerta pela Politécnica, até a iminente invasão.

- Convocamos a todo o mundo à presença massiva na cidade universitária da Politécnica de Atenas.

- Convocamos uma assembléia aberta hoje, domingo, 21 de dezembro, às 21 horas da noite.

- Convocamos um concerto de solidariedade e apoio financeiro para os prisioneiros da revolta. Às 18 horas da noite na Politécnica de Atenas.

Teremos a última palavra...

Estes dias te pertencem, Alexis!

Ocupação da Politécnica de Atenas


(agência de notícias anarquistas-ana)

Amadora: solidári@s com a revolta grega


Dia 20 de Dezembro, dia de acção internacional convocado pela faculdade politécnica de Atenas, foram entregues flyers, foram feitas algumas pintadas, e foi deixada uma faixa na Amadora, em solidariedade com a revolta estudantil Grega, para que esta não perca a chama, e se expanda cada vez mais.

Núcleo Estudantil Libertário da Amadora

20 de Dezembro: Que a revolta se alastre!


Que a revolta se alastre
20 de Dezembro: solidariedade internacional com a insurreição grega

Da greve geral ao movimento dos estudantes, com os liceus fechados e as faculdades ocupadas, da greve dos presos aos motins de rua, a Grécia tornou-se o palco, de alguns meses para cá, de uma sublevação social sem precedentes desde a queda da ditadura.

Em Outubro, uma série de greves paralisaram o país, às quais se somaram mais de 150 liceus encerrados pelos estudantes. Ainda no passado mês de Novembro, deu-se uma greve de fome, sem precedentes, que envolveu mais de 7 000 pres@s. Estas lutas ultrapassaram as meras reivindicações corporativas, sendo acompanhadas de inúmeras acções directas e de movimentos contra a miséria imposta pelo Estado e pelo Capital.

No passado dia 6 de Dezembro, a morte de um jovem de 15 anos, Alexis Grigoropoulos, às mãos da polícia grega, serviu de catalisador para uma vaga de contestação social que se tem vindo a alastrar por todo o território grego. Sucederam-se as ocupações de universidades, escolas, câmaras municipais e sindicatos burocráticos, com a realização de assembleias e apelos à generalização da luta autónoma, sem mediação de organismos políticos e burocráticos. Nas ruas tiveram lugar manifestações e ataques contra os aparelhos repressivos do Estado (esquadras de polícia, tribunais, etc.) e do Capital (bancos, grandes empresas).

Por todo o mundo, multiplicam-se as acções de solidariedade. Para dia 20 de Dezembro foi convocada, pela Assembleia do Politécnico de Atenas, uma jornada de solidariedade com a revolta grega e de denúncia da repressão estatal contra os insurgentes.

Solidarizamo-nos com @s companheir@s em luta na Grécia, pois a sua luta também é a nossa: pela acção directa, contra um quotidiano de miséria e contra tudo o que nos oprime, para que assumamos a nossa própria vida de forma autónoma!

Pelo menos temporariamente, libertamos um espaço da sua condição de não-lugar, desafiando o valor sacrossanto da propriedade privada, porque as nossas vidas valem mais do que as leis e a economia.

(um comunicado distribuído em Lisboa)

Comunicado do Colectivo Anarquista Hipátia (Porto) sobre a revolta na Grécia


O Colectivo Hipátia saúda a forma responsável e colaborante como o movimento de resistência grego continua a comportar-se face às dificuldades da economia e à crise que atravessamos.

De facto, com grande sentido de responsabilidade, tem feito funcionar a economia internacional e contribuído para um PIB europeu estatisticamente mais dinâmico.

Prova disso é o esgotamento a que levou as reserva de gás lacrimogéneo, forçando assim a cooperação económica internacional a repor esses tão necessários bens agora em falta!

Que esses jovens sirvam de exemplo a todo o mundo!

Que mais podemos dizer, senão exprimir com humor negro, com raiva, com indignação, o nosso desprezo para com todos aqueles – iguais em todo o lado – que não recuam diante de nada para continuar a defender os privilégios de alguns, ainda que seja preciso, invocando todas as supostas leis anti-terroristas que os ajudam a matar, como fazem no Iraque, na Palestina, no Ruanda, no Darfur, ou agora na Grécia, em toda a parte onde queiram fazer rei o seu próprio dinheiro, ou melhor, o dinheiro extorquido dos bolsos dos pobres de todo o mundo – e para prosseguirem a sua democrática e férrea ditadura à conquista do globo, em nome da finança, em nome do partido.

Duas semanas depois do assassínio às mãos da polícia grega do jovem Alexandros Grigoropoulos, a luta continua. E que essa luta – é o que desejamos – não se esgote na substituição do senhor Karamanlis por um outro qualquer senhor Papandreou, de nome distinto, mas mais que irmão, mas mais que gémeo, mas mais que siamês, clone perfeito da política de Estado que não recua na violência, na arbitrariedade e na rapina!

A crise internacional une todos estes Estados responsáveis, seja qual for a sua cor, que acodem pressurosos, a pôr a mão por baixo, não vá a queda dos senhores banqueiros arrastá-los na ignominiosa falência, à parte os depósitos nas Suíças, os investimentos nos off-shores, a ligação ao tráfico de armas, à roleta dos casinos, aos projectos megalómanos das barragens de muitas gargantas, dos comboios de velocidade supersónica e de tudo o mais, mas sobretudo à espoliação dos pobres, sempre expulsos das suas casas para "requalificar" os sítios onde pode ser rentável a indústria nuclear, a exploração do petróleo ou o negócio imobiliário, seja isso no Alaska em
degelo ou numa qualquer obscura cidade invicta num jardim à beira-mar plantado.

Não cremos num mundo em que nos querem fazer crer que o crime compensa, que isto é para os espertos, onde manda quem pode, e em que quem se fode é o mexilhão, como se isso fosse uma inexorável lei natural a que teríamos todos de nos sujeitar.

Amigos, saudações! Companheiros libertários, aquele abraço!

Agora somos todos gregos, mesmo cipriotas, alemães, espanhóis, dinamarqueses, holandeses, britânicos, mexicanos, belgas, norte-americanos, turcos, irlandeses, suíços, croatas, australianos, russos, búlgaros, italianos, franceses, polacos, argentinos, chilenos, canadianos, uruguaios, austríacos, neo-zelandeses, sul-coreanos, bascos, portugueses, solidários na luta, aprendendo do vosso exemplo, gritando convosco, acreditando juntos, todos estes nossos irmãos aqui na mó de baixo – e criando – um mundo como eles não querem, como eles não sonham... um mundo sem escravos, um mundo sem senhores, e então... lá longe ou aqui hoje, será jardim!

Colectivo Hipátia

Porto, 19 de Dezembro de 2008

Fortes confrontos em Atenas - 2ª Semana


Fortes confrontos em Atenas

Houve fortes enfrentamentos entre manifestantes e policiais em Atenas, na noite deste sábado (20), na região da Escola Politécnica, no bairro de Exarchia. Com os distúrbios entrando pela madrugada.

O confronto começou após uma concentração pacífica organizada por jovens que ocupam a Escola Politécnica, precisamente no local em Exarchia onde foi morto Alexis Grigoropoulos, em 6 de dezembro passado.

No final da concentração, que reuniu milhares de manifestantes, e após as habituais provocações das autoridades fardadas, um grupo atirou pedras e coquetéis molotov contra os policiais e queimou várias latas de lixo.

Os policiais, que ocupam Exarchia desde o início da onda de protestos, reagiram atirando bombas de efeito moral e gás lacrimogêno para dispersar os jovens.

O enfrentamento chegou até em frente à Escola Politécnica, com os manifestantes levantando barricadas nas ruas e enfrentando os policiais.

Ainda no sábado (20), em Loannina, uma árvore de natal foi diferentemente decorada pelos manifestantes, com imagens dos protestos.

Fotos: http://www.athens.indymedia.org/front.php3

Na madrugada de sábado, carros de patrulha foram atacados e queimados na periferia de Atenas e Kavala.

Fotos e vídeos

Fotos do teatro central de Olympion ocupado ontem (20): http://www.athens.indymedia.org/front.php3

Vídeo do grupo anarquista atacando com tortas o prefeito da cidade, Vassilis Papageorgopoulos e vereadores, durante uma festa beneficente realizada ontem (20):
http://www.antiblogthess.blogspot.com/2008/12/blog-post_20.html

Vídeo da tentativa de destruição da árvore de Natal no centro de Atenas ontem (20): http://www.youtube.com/watch?v=A8K0geihkQ8

Um novo vídeo foi distribuído ontem (20), aonde se vê claramente policiais vestidos como manifestantes e com capacetes de motociclistas, carregando paus e pedras: http://www.youtube.com/watch?v=fvyvUrKRDRQ


Imigrantes e refugiados nas ruas

Imigrantes realizaram ontem (20) uma manifestação em Atenas para protestar contra o "Pacto de imigração e de asilo da União Européia", diante da Universidade de Atenas, no centro da capital, e em seguida uma passeata até o Parlamento, na zona da praça Syntagma.

Na última quinta-feira (18), imigrantes, refugiados e outras pessoas, já tinham organizado à noite em Atenas uma passeata para declarar solidariedade com os gregos em luta. Embora fosse um ato totalmente pacífico, a polícia fechou o caminho dos manifestantes para impedir que chegassem ao prédio da União Européia para protestar contra a nova lei sobre a imigração na Europa. A seguir um texto escrito por um grupo de imigrantes e refugiados distribuído em Atenas.


Estes dias também são nossos!

Na seqüência do assassinato de Alexis Grigoropoulos temos vivido uma insurreição sem precedentes, um furioso desabafo que parece não acabar. A liderar esta revolta, aparentemente, estão os estudantes – que, com uma inesgotável paixão e uma calorosa espontaneidade reverteram toda a situação. Não se pode parar algo que não se controla, algo que é organizado espontaneamente e segundo termos que não se compreende. Esta é a beleza da insurreição. Os estudantes do ensino médio fazem história e deixam a outros a possibilidade de a escreverem e classificarem ideologicamente. As ruas, o incentivo, a paixão pertencem-lhes.

No quadro da mobilização geral, e com as manifestações dos estudantes do ensino médio como motor, verifica-se uma participação em massa da segunda geração de migrantes, bem como de muitos refugiados. Poucos refugiados vêm para as ruas, com uma organização limitada, mas com a espontaneidade e o ímpeto a marcarem a sua mobilização. Presentemente, eles são a facção mais militante dos estrangeiros a viver na Grécia. De qualquer das maneiras, eles têm pouco a perder.

Os filhos dos imigrantes mobilizam-se em massa e dinamicamente, através das escolas secundárias e das ações universitárias, assim como através das organizações de esquerda e de extrema-esquerda. São a parte mais integrada da comunidade migrante, a mais corajosa. Ao contrário dos seus pais, que vieram de cabeça baixa, como se mendigassem uma fatia de pão. São parte da sociedade grega, já que nunca conheceram outra. Não imploram por coisa alguma, exigem ser iguais aos seus colegas gregos. Iguais em direitos, nas ruas, nos sonhos.

Para nós, emigrantes politicamente organizados, este é um segundo Novembro francês. Nunca tivemos ilusões que quando a raiva das pessoas transbordasse seríamos capazes de direcioná-la em qualquer sentido. Apesar das lutas que tomamos durante todos estes anos nunca conseguimos atingir uma resposta em massa como esta. Agora é tempo da rua falar: o grito ensurdecedor é pelos 18 anos de violência, repressão, exploração e humilhação. Estes dias são nossos também.

Estes dias são pelas centenas de migrantes e refugiados que foram assassinados nas fronteiras, nas esquadras de polícia, nos locais de trabalho. São por aqueles assassinados por polícias ou "cidadãos preocupados". São por aqueles assassinados por se atreverem a atravessar a fronteira, trabalhando até à morte, por não baixarem a cabeça, ou por nada. São para Gramos Palusi, Luan Bertelina, Edison Yahai, Tony Onuoha, Abdurahim Edriz, Modaser Mohamed Ashtraf e por tantos outros que não esquecemos.

Estes dias são pela violência policial de todos os dias que permanece sem punição e sem resposta. São pelas humilhações na fronteira e nos ainda existentes centros de detenção para migrantes e refugiados. São pela gritante injustiça dos tribunais gregos, pelos migrantes e refugiados injustamente presos, pela justiça que nos é negada. Mesmo agora, nos dias e nas noites da revolta, os migrantes pagam um preço elevado – os ataques da extrema-direita e da polícia, as deportações e as sentenças de prisão que os tribunais concedem com amor cristão. A nós, os infiéis.

Estes dias são pela contínua e ininterrupta exploração, desde há 18 anos para cá. São pelas lutas que não foram esquecidas: nas enseadas de Volos, nas obras olímpicas, na cidade de Amaliada. São pelo trabalho forçado e pelo sangue dos nossos pais, pelo trabalho informal, pelos turnos sem fim. São pelos depósitos e pelos selos adesivos, pelas contribuições sociais que pagamos e que nunca nos serão reconhecidas. São pela corrida aos papéis em que iremos participar para o resto das nossas vidas, como se fossem bilhetes de loteria.

Estes dias são pelo preço que temos de pagar por simplesmente existir, por respirar. São por todos os momentos em que rangemos os dentes, são pelos insultos a que somos sujeitos, pelas derrotas que nos são inculpadas. São por todas as vezes que não reagimos e estivemos sozinhos, pois as nossas mortes e a nossa raiva não cabiam em modelos pré-determinados, não traziam votos, não vendiam notícias de primeira página.

Estes dias pertencem a todos os marginalizados, os excluídos, às pessoas com os nomes difíceis e com as histórias desconhecidas. Pertencem aos que morrem todos os dias no Mar Egeu e no rio Evros, aos assassinados na fronteira ou na rua central de Atenas; pertencem aos Roma em Zefyri, aos drogados de Eksarhia. Estes dias pertencem aos putos da rua Mesollogiou, aos estudantes não integrados e não controlados.

Obrigado Alexis, estes dias pertencem-nos a todos!
18 Anos de raiva silenciosa são demais!
Para as ruas, pela solidariedade e dignidade!

Não esquecemos e não esqueceremos – estes dias são teus também

agência de notícias anarquistas-ana

Não há comida
E as moscas se ocupam
Em fazer mais moscas.
Paulo Franchetti

Em solidariedade com a revolta Grega

Porto, 20 de Dezembro



Manifesto da Casa Viva: "O espectro da liberdade surge sempre com uma faca nos dentes"


Lisboa, 20 de Dezembro


Manifestação de Solidariedade com a Revolta Grega


Decorreu hoje em Lisboa uma manifestação de solidariedade com os companheiros gregos e em memória de todos os que sucumbiram às mãos do terrorismo de estado...

Apareceu um número bastante razoável de pessoas na Praça da Figueira e a manifestação propriamente dita surgiu de uma forma algo espontânea, visto que pelo menos o que vinha na convocatória era apenas uma concentração.

Os jornalistas marcaram fortemente a sua presença, sendo muitas vezes bastante incomodativos o que levou bastante gente a tapar a cara devido à já célebre insistência em tirar fotos aos manifestantes.

Falando de jornalistas, só um pequeno reparo, estão de parabéns pois conseguiram fazer com que a questão da Grécia passasse completamente ao lado da população pois durante o percurso as pessoas olhavam para nós com um ar bastante surpreendido... Viam-nos como simples apoiantes de um grupo de vândalos que anda a partir as dependências do BCP e mais meia dúzia de lojas...

Enfim, já estamos habituados a isto...

Quanto à manifestação propriamente dita, saiu da Praça da Figueira perto das 16 horas e supostamente deveria seguir para a Praça Camões no Chiado (o percurso ia sendo decidido na hora), mas a uma certa altura parecia que a polícia estava a cortar o trânsito para fazer o que todos sabemos muito bem... Foi a altura mais tensa pois parecia mesmo eminente uma carga policial!

Decidimos alterar o percurso e fomos em direcção ao Terreiro do Paço. Chegados à praça, as faixas foram estendidas na estátua central e por lá ficaram. Só nessa altura vimos a polícia de intervenção mas a manifestação já estava a dispersar.

QUE A REVOLTA ALASTRE

(notícia retirada do blog CONTRA O CAPITAL)

Manifestação Solidariedade com as revoltas na Grécia



Ontem, em Lisboa, cerca de 80 pessoas reuniram-se numa concentração na Pr. da Figueira.
Espontaneamente esta concentração transformou-se numa manifestação que seguiu até ao Terreiro do Paço. Pelo caminho, parou-se o trânsito, pintaram-se bancos, lojas e um carro da policia com mensagens de apoio à insurreição que se sente e vive na Grécia desde a morte de Alexis Grigoropoulos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

2 SEMANAS DE REVOLTA NA GRÉCIA

Nesta quinta-feira (18), mais um jovem manifestante de 16 anos é baleado

Pela manhã de sexta-feira, centenas de estudantes das escolas de Peristeri, na região oeste de Atenas, segurando faixas onde se lia "O terrorismo deles não funcionará", marcharam pelas ruas da cidade para protestar contra o tiro na mão que um garoto de 16 anos recebeu na quarta-feira por um homem não identificado. Os estudantes também organizaram uma manifestação em Piraeus.

Ataque contra Instituto Francês: "Faíscas em Atenas, Incêndio em Paris. A Insurreição aproxima-se", sexta-feira (19)


Cerca de 20-40 pessoas atacaram com bombas incendiárias o Instituto Francês de Atenas -instituição educacional e cultural dependente do Ministério de Relações Exteriores da França-, nesta sexta-feira. Um dos explosivos lançados chegou a atingir o interior do edifício, mas não explodiu. As bombas queimaram a fachada e quebraram janelas no pátio interno. Na fachada, pintaram os seguintes dizeres: "Faíscas em Atenas. Incêndio em Paris. Insurreição se aproxima." Este acto foi, também, em solidariedade com os presos acusados de actos de solidariedade e sabotagens em ferrovias francesas, e os estudantes daquele país que estão nas ruas.

Hoje, sexta-feira (dia 20) continuam as acções por toda a Grécia

De acordo com o Sindicato dos Professores, 800 escolas no país estão ocupadas pelos estudantes. E mais de 200 faculdades.

Manifestantes atearam fogo ao prédio de uma companhia. Um grupo de jovens usando máscaras jogou uma bomba que danificou as instalações da Tirésias SA, companhia que armazena dados sobre portadores de cartões de créditos. O prédio foi incendiado e destruído.

Os manifestantes gregos continuam a atacar os símbolos do Natal. Um grupo de duas centenas de manifestantes entrou em confronto com a polícia ao tentar botar abaixo a principal árvore de Natal no centro de Atenas, que já foi destruída uma vez. A polícia teve de defender aquele símbolo da fúria dos jovens com gás lacrimogêneo e cassetetes. Provocando um corre-corre e assustando os consumidores que fugiram do centro comercial da cidade.


Uma das frases mais pichadas no centro da capital negra passou a ser "Boa Crise e um Feliz Medo Novo", que ironiza a conhecida frase de "Bom Natal e Feliz Ano Novo".

Durante o dia mais ações "anarco-transporte" aconteceram nas estações de metrô de Brahami e Ayios Antonios. Nos últimos dias estas ações têm sido comuns em vários pontos de Atenas, onde estações são visitadas por pequenos grupos anarquistas que sabotam as máquinas automáticas de vendas de bilhetes, e distribuem folhetos convocando para a auto-organização dos passageiros.

Neste sábado, ao menos mais quatro estações de rádio foram ocupadas ("Best", "En Lefko", "Athina 9,84" e "República 100,3"; textos contra a violência de Estado e em solidariedade com os detidos nas revoltas foram lidos.

Um nutrido grupo da Ocupação da Escola Politécnica se reuniu no lugar onde Alexis foi assassinato, no bairro de Exarchia. Foram lidos vários relatórios das ações de solidariedade que estão acontecendo pelo mundo.

Em Tessalônica, anarquistas ocuparam um cinema no centro da cidade e arremessaram bolos e doces no prefeito Vassilis Papageorgopoulos e em alguns vereadores presentes. O prefeito e seu staf político participavam de um evento natalino.

Algo que merece a pena mencionar, quanto a capital Atenas, é que aparte do que ocorre no centro (já que é o único lugar que se mostra pelos meios de comunicação), há um montão de iniciativas e muito movimento nos bairros periféricos. Hoje (20), sucederam diversas "pequenas" manifestações descentralizadas nos bairro de Gyzi, Peristeri (onde um segundo estudante de 16 anos levou um tiro na mão), Chaidari, Petralona, Nea Smyrni, Victoria, Vyronas, e nas cidades de Tessalônica, Heraclito e Larisa.

Somos a imagem do futuro


(adaptado a partir das notícias da A.N.A.)