quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Grécia: Sindicato ocupado por trabalhador@s insurgentes


Sindicato pelego grego é ocupado

A sede da GSEE em Atenas está ocupada desde às 8 horas da manhã

Desde às 8 horas da manhã de hoje (17), trabalhadores de base ocuparam a sede da poderosa e pelega GSEE (Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia) em Atenas. Os ocupantes explicaram que "é o momento de acabar com a mediação dos sindicatos amarelos que não representam ninguém. Acabemos com a mentira mediática dos 50 mascarados, a revolta continua viva".

Eles ainda declararam que a sede da GSEE foi transformada em "Espaço Liberado de todos os trabalhadores do país", e que hoje acontecerá uma assembleia aberta a partir das 18h.

Este é o comunicado emitido pelos ocupantes:

Ou decidimos nossa história ou deixamos que eles decidam por nós.

Nós, trabalhadores braçais, empregados, desempregados, temporários, locais ou imigrantes, não somos passivos telespectadores. Desde o assassinato de Alexandros Grigoropoulos na noite do último sábado (6), nós participamos nas manifestações, nos confrontos com a polícia, nas ocupações do centro e dos bairros. Diversas vezes tivemos que deixar o trabalho e nossas obrigações diárias para tomar às ruas com os estudantes, os universitários e os outros proletários em luta.

Temos decidido ocupar a sede da GSEE:

- Para tornar-se um espaço de expressão livre e um ponto de encontro para os trabalhadores.

- Para desmentir a falácia estendida pelos meios de comunicação que nos coloca, os trabalhadores, à margem dos enfrentamentos, e que define a fúria destes dias como questão de alguns 500 "encapuzados", "hooligans" ou qualquer outra história, enquanto as telas de televisão nos apresentam como vítimas do enfrentamento, enquanto a crise capitalista na Grécia e em toda parte do mundo dá origem a incontáveis demissões de trabalhadores que os meios de comunicação e seus executivos tratam como um "fenômeno natural".

- Para destroçar e revelar o papel da burocracia sindical no momento de subestimar a insurreição, e não só aí. O GSEE e todo o mecanismo sindical que o apoiou durante décadas e décadas, subestima as lutas, negocia nossa mão-de-obra por migalhas e perpetua o sistema de exploração e escravidão assalariada. A posição do GSEE na passada quarta-feira foi bastante reveladora: o GSEE cancelou a manifestação de trabalhadores que foi programada, desistindo da organização de uma pequena reunião na praça Syntagma, garantido desta maneira que as pessoas fossem embora o quanto antes da praça, já que tinham medo que os trabalhadores fossem infectados pelo vírus da rebelião.

- Para abrir este espaço pela primeira vez -como uma continuação da abertura social gerada pela rebelião em si- um espaço construído com nossas contribuições, e de que fomos excluídos. Durante todos estes anos nós confiamos nossos destinos em salvadores de todas as pelagens, e acabamos perdendo nossa dignidade. Como trabalhadores devemos começar a assumir nossas responsabilidades, e deixar de ceder nossas esperanças a bons líderes ou representantes "eleitos". Devemos fazer-nos com a nossa própria voz, encontrar-nos e reunirmo-nos, articular, decidir, e agir. Contra o ataque generalizado que sofremos. A criação de resistências coletivas "de base" é o único caminho.

- Para espalhar a idéia de auto-organização e a solidariedade nos postos de trabalho, nos comitês de luta e as práticas coletivas desde baixo, abolindo os burocratas sindicais.

- Todos estes anos nós engolimos a miséria, a complacência, a violência no trabalho. Fomos acostumados a contar os incapacitados e os nossos mortos -no mal chamado "acidentes de trabalho. Acabamo-nos sendo acostumados a olhar o outro lado ante da morte dos imigrantes -nosso companheiros de classe-. Estamos cansados de viver com a ansiedade de ter que garantir um salário, algumas rendas, e uma pensão que agora parece um sonho distante.

Igualmente lutamos para não abandonar nossas vidas nas mãos dos chefes e dos representantes sindicais, da mesma maneira, nós, não abandonaremos os rebeldes detidos nas mãos do Estado e do sistema jurídico.

Imediata libertação sem cargas dos detidos e auto-organização dos trabalhadores!

Greve Geral!

Assembléia de Trabalhadores do Edifício "Liberado" da GSEE

Quarta-feira, 17 de dezembro de 2008, às 18 horas

Assembléia Geral de Trabalhadores Insurgentes

agência de notícias anarquistas-ana

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin