quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

[Grécia] Apesar da aparente trégua, os protestos continuam

Nesta terça-feira (23), milhares de estudantes e ocupantes de entidades universitárias saíram às ruas de Atenas, na terceira semana de protestos. No início da manifestação, em frente à reitoria da Universidade de Atenas, manifestantes tombaram um carro da polícia. Perto do Parlamento, os manifestantes atearam fogo em uma máscara que representava a cabeça de um porco, com um chapéu policial, gritando palavras de ordem como "policiais, porcos, assassinos" e "abaixo o governo do novo terrorismo", muitos empunhavam bandeiras pretas e vermelhas.

Na madrugada, um homem não-identificado atirou contra um ônibus que levava 19 policiais da brigadas antidistúrbios e estava parado no sinal vermelho, no bairro de Gudi, diante de um campus universitário. Duas balas atingiram o ônibus, furando um pneu, mas ninguém se feriu. A polícia investiga o caso. Manifestantes acreditam que tudo não passa de armação policial ou direitista para incriminar os universitários ocupantes.

No bairro de Nea Filadélfia (Atenas), uma passeata aconteceu no final da tarde, organizada pelo Centro Cultural Ocupado do bairro. Diversos lemas foram pichados nas paredes, janelas de bancos e algumas câmeras de vigilância foram quebradas. A marcha foi seguida por um numeroso contingente policial. Quando o protesto alcançou a delegacia local, mais policiais apareceram. Os manifestantes reagiram jogando tinta, pedras, ovos e laranjas contra as forças da ordem, que responderam com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Os residentes e transeuntes do bairro pediam para os policiais irem embora do local. Após o protesto, os manifestantes organizaram uma assembléia para decidir mais ações.

Em Serres, uma faixa enorme foi erguida de noite na Acrópoles da cidade, em que estava escrito: "Não os deixe humilhá-los, resista!. Liberdade para todos os detidos já!".

Ontem, em assembléia, os estudantes do ensino médio deram por encerrado o primeiro ciclo de protestos pela morte de Alexis a tiros pela polícia, a violência policial, contra o sistema de ensino, e contra os reduzidos fundos estatais para o setor, e decidiram retomar as manifestações no próximo dia 9 de janeiro.

Durante assembléia de ontem (23) e conversas sobre o futuro da ocupação da Universidade Politécnica, havia rumores que a Tropa de Choque poderia invadir e esvaziar o campus a qualquer instante. Embora os ocupantes já tivessem decidido acabar a ocupação, esta ameaça da polícia os fizeram mudar de idéia. Muitas pessoas chegaram à universidade para defendê-los, e apesar de que a polícia realizasse rondas em torno da universidade, não fizeram nenhum movimento mais brusco.

Na assembléia, os ocupantes explicaram que os policiais não irão tomar conta da universidade, e que a última palavra de quando a ocupação acabará será dos manifestantes. "Acabará quando os ocupantes decidirem e as ameaças dos policiais somente nos fazem mais fortes e mais zangados!".

Já a assembléia dos ocupantes da Faculdade de Direito decidiu que a ocupação da escola acabou. Contudo, um número de ocupantes não concordou com a decisão e querem permanecer no edifício.

Novas assembléias vão acontecer hoje (24) para decidir se as ocupações, de quase 100 faculdades, continuam ou chegam ao fim.

O fim das ocupações dos departamentos universitários não quer dizer o fim dos protestos, mas o cansaço é inevitável e grande, depois de dias de mobilizações, atos, confrontos, pessoas presas, feridas...

Hoje (24) pela manhã, na cidade de Volos, uma rádio municipal e os escritórios do jornal "Thessalia", foram ocupados. Na rádio, ocupado por 30 minutos, foram lidos textos que pediam a libertação das pessoas presas durante os protestos.

Ontem (23), nessa mesma cidade, Volos, num teatro local, um espetáculo teatral foi interrompido, e em seguida sucedeu a leitura de cartas que reivindicavam a libertação de todos os detidos, sem cargas.

No bairro de Alimos, pela manhã de hoje (24), o Centro Cultual Municipal foi ocupado. O equipamento de som foi re-apropriado e lidas várias decisões da Iniciativa Cidadã do bairro: liberdade para todos os detidos; que se retirem as armas dos policiais; que retirem a lei antiterrorista.

Ainda hoje (24) acontecerá em Atenas manifestações de solidariedade com os prisioneiros em frente aos tribunais para pedir a libertação dos apreendidos. Há uma batalha para libertar os mais de 200 detidos, e esse número pode ser bem maior, já que é difícil obter números exatos sobre os detidos e presos em todo o país.

agência de notícias anarquistas-ana

luar na relva
vento insone
tira o sono das flores