quinta-feira, 22 de julho de 2010

Quem tem medo dos anarquistas? ..Resposta à campanha mediática anti-anarquista

Em face de toda a histeria mediática que tem rodeado o anarquismo em Portugal desde a manifestação de 25 de Abril de 2007 – as supostas ameaças de morte por parte dos anarquistas a Cavaco Silva e a José Sócrates (Correio da Manhã, 7/05/2010), a fantasiosa cilada anarquista à PSP em pleno Bairro Alto (Diário de Notícias, 31/05/2010) ou a equiparação dos anarquistas à Al-Qaeda enquanto principais ameaças à cimeira da Nato em Lisboa (Diário de Notícias, 5/06/2010) -, não podemos deixar de nos pronunciar. Não o fazer seria permitir que tudo quanto foi dito por um jornalismo parcial e declaradamente nosso inimigo fosse deixado sem resposta e, consequentemente, tomado por verdade, uma vez que os objectivos e a intenção consciente por detrás de tais notícias são transparentes: denegrir a nossa imagem aos olhos de quem só sabe do anarquismo aquilo que lê nos jornais e encorajar uma posterior caça às bruxas contra nós. Assim sendo, respondemos de seguida à nossa própria pergunta. Quem tem medo dos anarquistas? E quais as razões desse medo?


 A situação actual de crise do capitalismo e as suas consequências, se são sentidas por todos nós na própria pele, sob a forma do aumento das desigualdades sociais e da degradação constante das condições de vida, não escapam igualmente à atenção do Estado e dos seus corpos repressivos, preocupados com as eventuais repercussões que tudo isto poderá ter. Mesmo que, por enquanto, reine a paz social, temem que, mais tarde ou mais cedo, a paciência de um povo inteiro se esgote e, finalmente, estale a revolta. Em face disto, o Poder pergunta-se: “o que (ou quem) poderá servir de catalisador à revolta?” Tendo em conta os acontecimentos recentes na Grécia, a atenção mediático-policial volta-se necessariamente para nós.

Observando as movimentações anarquistas em Portugal, as autoridades estudam formas de as neutralizar rapidamente, antes que fujam definitivamente ao seu controlo. Os órgãos de comunicação social, juntam-se a esta campanha de criminalização do anarquismo. Assim, é do interesse de certos órgãos da imprensa apresentarem-nos colectivamente enquanto um grupo de “radicais” com uma ideologia "extremista”, que apenas procura semear a violência e o confronto a todo o custo. Se nos chamam “radicais” e “extremistas”, isso deve-se à nossa recusa total de um sistema assente na opressão e na exploração, que não pretendemos suavizar através de reformas, mudando apenas algumas coisas para que o essencial se mantenha. Pretendemos isso sim uma verdadeira igualdade social, onde não haja privilegiados, e em que o indivíduo possa ter autonomia e liberdade para decidir sobre a sua vida. Se não tememos o confronto, tão pouco vemos nele um fim em si mesmo.

Urge resistir! Há que vencer a passividade, o medo, as manipulações dos partidos e sindicatos, e agir! É preciso que os explorados e oprimidos se unam, pensem os seus problemas em comum e actuem sem intermediários.

Dito isto, é fácil de entender quem tem medo dos anarquistas.

Por mais que tentem, não nos hão-de calar!

Julho 2010


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