quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Novos confrontos na Grécia

Novos confrontos entre a polícia e centenas de jovens registraram-se hoje (7) em Atenas na manifestação de estudantes em memória de Alexis Grigoropoulos morto há um ano por um polícia.
Jovens mascarados lançaram pedras contra várias lojas burguesas, agências bancárias e contra a polícia anti-distúrbios, que respondeu lançando gás lacrimogêneo e balas de borracha.


Os confrontos de hoje ocorreram no curso de uma manifestação que juntou milhares de pessoas, na sua maioria alunos do secundário, no centro de Atenas.
Várias dezenas de jovens que seguiam na "rabeira" da manifestação lançaram pedras, coquetéis molotov e foguetes contra a polícia anti-distúrbios e romperam vidros de paradas de ônibus, cabines telefônicas, bancos 24 horas, câmeras de vigilância, incendiaram caixotes de lixo e queimaram alguns dos carros de luxo que foram encontrando pelo caminho.

O centro de Atenas estava tomado de pichações e cartazes antimilitaristas, anticapitalistas, antipolíticos e contra a miséria do trabalho.
Primeiramente cerca de 6000 polícias foram destacados desde domingo em Atenas para tentar impedir a repetição dos protestos do ano passado na capital grega, mas o novo governo “socialista” reforçou o policiamento nas ruas da cidade com mais 4000 policiais.

Numa outra manifestação, com aproximadamente 10000 pessoas, principalmente estudantes do secundário, realizada em Tessalônica, no norte do país, registraram-se também confrontos com a polícia, que lançou gás lacrimogêneo para dispersar grupos que lançavam pedras e outros objetos.
Depois da manifestação, uma assembléia dos estudantes foi esquematizada na Universidade Politécnica. Mas as forças especiais da polícia entraram pela terceira vez na universidade lançando gases químicos para desocupar o prédio e prender os manifestantes. A intenção da polícia era matar ou ferir gravemente alguém.
Na Grécia a polícia está proibida de entrar nas universidades por causa do direito de asilo estudantil que foi criado em 1973, quando os militares entraram na Escola Politécnica de Atenas e mataram dezenas de estudantes. Estes protestavam contra a junta militar que governou o país entre 1967 e 1974, a ditadura conhecida por "regime dos coronéis".

Outras cidades gregas menores também organizaram protestos hoje como parte do aniversário de um ano da morte do jovem Alexis Grigoropoulos.
As várias ocupações de instituições públicas e de ensino em homenagem a Alexis devem ser finalizadas ainda hoje. Nas ocupações eram organizadas várias atividades culturais, desde concertos até exposições fotográficas da rebelião de Dezembro de 2008.
Estes últimos dias muitos prisioneiros gregos realizaram uma greve de fome parcial em protesto contra a violência policial e em memória de Alexis.
Os números da polícia indicam que nos últimos dias 823 pessoas foram detidas por desordem pública em conexão com as manifestações. Mas estes números podem ser maiores. A maioria dos presos já foram soltos. Pelo menos 159 responderão processos judiciais.
Analistas políticos gregos avaliam que o “6 de dezembro” se tornou um novo “17 de novembro” das novas gerações de estudantes do país, que tradicionalmente celebram nesta data o aniversário das revoltas estudantis contidas com violência na Universidade Politécnica de Atenas em 1973.
O CMI Atenas continua com problemas, mas na página central há vários vídeos e fotos dos protestos em toda a Grécia, alguns explicitam a violência policial, que alguns avaliam como mais brutal que no dezembro de 2008.

Galeria de imagens de Atenas hoje:
http://noticias.uol.com.br/album/091207grecia_album.jhtm?abrefoto=6#fotoNav=1

Solidariedade sem fronteiras
Em Luxemburgo, na capital do mesmo nome, aconteceu uma manifestação não autorizada contra a repressão e a violência policial, bem como em memória de Alexis Grigoropoulos e todas as vítimas do capitalismo. "Sem justiça não há paz, lute contra a polícia", "Polícia Assassina", foram alguns slogans gritados no protesto. Alguns fogos de artifício foram utilizados no ato. A manifestação foi acossada pela polícia, mas ninguém foi ferido ou preso.
Também ocorreram manifestações de solidariedade em Boston, nos Estados Unidos, Madri, na Espanha, Hamburgo e Düsseldorf, na Alemanha e Perugia, na Itália.

Fotos da marcha em Miden, na Alemanha:
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1202422

Vídeo da marcha de solidariedade em Amsterdam, na Holanda:
http://www.youtube.com/watch?v=RoU5hahsQbs