domingo, 16 de novembro de 2008

Terrorismo de Estado: França e as leis anti-terrorismo!!!




ALICE INFORMA:


No dia 8 de Novembro 2008 foram detectados vários actos de sabotagem às linhas de TGV em França. Pequenos ganchos de ferro foram colocados nas linhas de alta tensão de alimentação dos comboios o que, à passagem a alta velocidade, provocou cortes de energia e atrasos em vários trajectos.Dois dias depois a polícia francesa, numa operação dirigida directamente pela Ministra do Interior, encontra os "responsáveis" e prende ao abrigo da lei anti-terrorista 20 pessoas ligadas ao "movimento anarco-autónomo".

Numa mega operação policial a aldeia de Tarmac (cerca de 300 habitantes) foi cercada e os habitantes de uma quinta de agricultura biológica - que operavam também a mercearia da aldeia - foram presos. Descobre-se então que a polícia os vigiava de perto desde Abril deste ano. As razões apontadas publicamente para esta perseguição foram:



O facto de este grupo de pessoas ter publicado um livro de análise social e teoria política radical assinado sob o nome "Comité Invisível" - L'Insurrection qui vient;


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O facto de uma dessas pessoas - apontada como líder (provavelmente por ser o mais velho, 33 anos) ter estado presente numa reunião anarquista em Nova York e em seguida em Tessalónica, na Grécia. Este delito apontado pelo FBI aos serviços secretos franceses é que motivoua perseguição;

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O facto dos grupos "autónomos-anarquistas" estarem cada vez mais presentes nas manifestações e contestações sociais dos últimos anos: contra a eleição de Sarkozy, contra o CPE, e em diversas manifestações estudantis.



.Alguns dos detidos estiveram no passado envolvidos com o grupo Tiqqun, um colectivo autor de uma revista e de vários livros que nos últimos anos foi sendo considerado como herdeiro de uma larga tradição de pensamento crítico francês que começa com os Letristas e com a Internacional Situacionista. Entre os colaboradores dos Tiqqun está o filósofo/escritor/actor Franco-Tunisino Mehdi Belhaj Kacem que esteve recentemente em Portugal a convite da Fundação Calouste Gulbenkian. Giorgio Agamben também é dos mais conhecidos interlocutores do grupo, tendo escrito alguns livros em resposta às teses dos Tiqqun.

Dito de outro modo, a polícia francesa vigiou e perseguiu pessoas com afinidades políticas radicais pelo simples facto de terem publicado as suas ideias, assistido a encontros políticos e participado em manifestações de rua.


Até aqui nada de novo.


Na noite de 8 de Novembro a polícia identificou dois destes suspeitos junto a uma linha de comboio. Daí que as conclusões tenham sido tão fáceis de tirar e que as prisões tenham ocorrido com tanta celeridade.O sucedido em França ocorre num contexto de tácticas repressivas que têm vindo a ser aplicadas de modo recorrente um pouco por todo o espaço europeu: detenções extremamente mediáticas e arbitrárias de sujeitos envolvidos em movimentos e conflitos sociais, que depois ao chegar à barra dos tribunais caem por falta de provas.

Trata-se de uma metodologia de intimidação e de perseguição política que visa desactivar perspectivas antagonistas através de uma constante pressãolegal, impondo o medo de uma detenção arbitrária e utilizando os processos burocráticos penais enquanto muro contra o qual se esmaga quem o estado considera perigoso.



O que se passa em França é mais um sinal do carácter autoritário e repressivo dos regimes que se instalaram por toda a Europa (Itália, França, Áustria, Alemanha, etc.) e uma prova de que a perseguição política e aquilo a que chamávamos fascismo não são papões da História.




http://www.lekti-ecriture.com/editeurs/L-insurrection-qui-vient.html
http://fr.wikipedia.org/wiki/Tiqqun
http://www.softtargetsjournal.com/v21/tiqqun.php

http://notesforthecomingcommunity.blogspot.com/2008/04/tiqqun-de-la-noche.html