quarta-feira, 4 de maio de 2011

TERRA LIVRE 1º de Maio Antiautoritário e Anticapitalista: Comunicado (para demonstrar o ridículo das mentiras da) Imprensa

Somos um colectivo Anarquista da cidade de Setúbal que convocou e organizou a manifestação do 1º de Maio Anti-capitalista e Anti-autoritário. O nosso nome é “Terra Livre” e não “Rebeldes e Organizados”. O nome “Terra Livre” poderá ser visto nos cerca de 5000 panfletos e 1000 cartazes distribuídos e colados por todo o distrito de Setúbal a convocar o protesto. “Rebeldes e Organizados” era um dos escritos da faixa que levávamos à frente e que foi errónea ou propositadamente interpretado por gente de vistas curtas como o nome do grupo inteiro da manifestação. A frase completa era aliás “ Rebeldes e organizados, nós damos-lhes a crise ”

A manifestação não era legal nem ilegal: era uma manifestação pública convocada há cerca de um mês e que todos tinham conhecimento incluindo a Polícia, o Governo-Civil e Câmara Municipal. A prova disso foi a vigilância ostensiva das forças repressivas sob a manifestação. Se é uma questão de preguiça que fez com que os membros do governo civil não quisessem ter conhecimento da iniciativa não é problema nosso mas deles. São eles que, sendo pagos com o dinheiro roubado ao nosso trabalho sob forma de impostos, trabalham para nós. Não é suposto ser o contrário, mas se for, aproveitamos para dizer: Senhor Governador, está despedido!

Participaram vários grupos organizados e muita gente a título individual. Da Associação Internacional dos Trabalhadores- Secção Portuguesa à Plataforma Anti-Guerra e Anti-Nato. Durante o percurso foram distribuídos centenas de panfletos vindos de diferentes grupos e indivíduos participantes.

A concentração começou na hora e local previamente anunciado: às 13:00, no Largo da Misericórdia e não ás 15:00 no Quebedo, local de encontro da CGTP. Mais uma vez, a miopia dos jornalistas distorce os factos.

Percorremos a zona do miradouro até nos juntarmos à cauda da manifestação da CGTP. Aí fomos barrados por 5 ou 6 inúteis agentes da PSP.

A polícia (Equipa de Intervenção Rápida) aparentemente chefiada por um tal de Fernando Rosas (não estamos certos dos nomes porque os agentes não tinham placas de identificação) manteve durante esse tempo uma atitude de carneirinhos mansos.

Era óbvio para a polícia que eles não tinham força para reprimir nada. Era óbvio para todos que as motivações expressas no texto de convocatória da manifestação (que duvidamos que algum jornalista tenha lido) aliada à nossa vontade de nos manifestarmos foram as razões pelas quais esses cobardes não tivessem logo ali levado o enxerto que mereciam.

Fomos SEMPRE saudados pelo resto da população de Setúbal que não se juntou ao protesto e que iam, muito mais que os integrantes da manifestação, dirigindo os seus insultos aquele bando de cobardes em uniforme que a todos nos agride diariamente mas não é capaz de prender um só banqueiro. Sabemos bem que a polícia se lembra desses insultos da população de Setúbal.

Durante o trajecto foram utilizados por diversos manifestantes tochas de sinalização náutica, fogo de artificio apto para uso particular e alguns petardos de baixa intensidade. Outros expressaram a sua raiva pintando frases combativas nas fachadas de alguns bancos, entre outros locais, e uma loja de automóveis de luxo.
Não houve uma montra partida (como demonstra o próprio comunicado da PSP) nem armas de fogo nas mãos dos manifestantes. Isso são as habituais tácticas de difamação que os cobardes e mentirosos costumam utilizar, para justificar o injustificável.

Chegados à Fonte Nova, e uma vez mais saudados pelos habitantes e comerciantes, era nosso desejo assentar arraial no Largo tendo para um efeito um carro de som que tocava, entre outros, Zeca Afonso, Grupo os Galés e canções anarquistas. E é aqui que, sem qualquer aviso da parte da polícia ou provocação da nossa parte, começa o infame e brutal ataque desses cobardes em uniforme que agora se sentiam muito homenzinhos por terem armas na mão. Sobre este ataque contra todos os manifestantes e muitos residentes da área poderão ler a nossa descrição dos factos e acontecimentos

Nesse momento, num acto de dignidade e coragem do qual não temos nada a lamentar, defendemo-nos com o que tínhamos à mão. Repetimos: não fomos para um confronto, mas sim para uma manifestação e se desejássemos o confronto já o teríamos provocado quando esses cobardes se estavam a borrar nas calças.
Defendemo-nos arremessando pedras da calçada e garrafas para manter a polícia à distância e desmontando uma esplanada de um restaurante que utilizamos como barricada e escudos protectores. No momento, enquanto decorria a batalha, responsabilizá-mo-nos perante os donos do restaurante pelos prejuízos e no dia seguinte honrámos o compromisso.

Todos os outros destroços, incluindo uma carrinha de um restaurante no largo, foram provocados pela polícia.

Os que quiserem confirmar estes factos bastar-lhes-á falar com as pessoas envolvidas, nomeadamente residentes das zonas nas quais a manifestação passou e proprietários dos restaurantes.
A nossa necessidade de refutar as mentiras e difamações divulgadas pela polícia e amplificadas pelos media acriticamente fica resolvida aqui. Todo o ruído que se espalhou pelos media e Internet é o trabalho de provocadores que, venham da esquerda ou da direita, se habituaram a ver na auto-organização popular e na rebeldia anti-autoritária o seu inimigo número um.

O nosso inimigo número um é o medo que nos tentam impor e aqueles que o criam.
Na Fonte Nova e em Setúbal ficáram as sementes da coragem que quisemos propagar neste 1º de Maio.
3 de Maio de 2011, Setúbal cidade rebelde
{ Terra Livre }