quarta-feira, 11 de agosto de 2010

filmes, discussão e jantar na terra de ninguém


espaço anarquista terra de ninguém


Rua do Salvador, 56 (à Rua das Escolas Gerais) - Lisboa
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terradninguem.blogspot.com

Sábado, 14 de Agosto


17h30 - Passagem de filmes sobre o graffiti em Portugal.
20h - Jantar benefit para a renda do terra de ninguém.

O graffiti é uma forma de comunicação por natureza. Se o desafio inconsciente da propriedade, da polícia e da lei é uma sua consequência lógica, o motivo propulsor é a comunicação entre quem o pratica – e não só.

A obsessão das câmaras municipais de diferentes cidades, e da de Lisboa em particular, com tudo o que tenha a ver com graffiti é indicador de algo. Com isto estamos obviamente a deixar de lado tudo o que tenha a ver com a recuperação artística do graffiti, que o torna totalmente desinteressante e o aproveita para os objectivos desta sociedade – objectivos de lucro e de controlo social. A estratégia de o poder separar entre “bons” e “maus” writers é exactamente a mesma que noutros casos – bons e maus anarquistas, bons e maus manifestantes, bons e maus imigrantes, bons e maus trabalhadores, etc…. Com um só golpe, o poder agrega e recupera todos os que se lhe adaptam e reprime e criminaliza todos os que se mantêm fora e rejeitam os papéis que lhes são atribuídos.

A “limpeza” – no sentido material e no sentido humano – que o poder está a implementar nas cidades tem como objectivo a eliminação da movimentação e comunicação autónomas, o encerramento das ruas aos seus habitantes e aos pobres e a sua abertura aos bancos, aos bons cidadãos, aos turistas e aos jovens boémios com dinheiro para gastar em bares. Neste sentido, a guerra contra os graffiti e os cartazes “selvagens” está intrinsecamente ligada não só ao controlo das ruas por câmaras, polícias e vigilantes, como à construção de novas vias e de novos transportes, assim como do centro de detenção de imigrantes em Sintra e dos resorts na costa Alentejana e na península de Setúbal.

A passagem destes filmes/documentários não pretende ser um enfoque sobre o graffiti em si, mas sobre as suas consequências, os seus aspectos subjacentes, os seus jogadores e a vontade de simplesmente dizer “eu existo, eu estive aqui”, numa sociedade que cada vez mais impede o diálogo autónomo e institui a discussão eterna como arma chave da ideologia democrática.

O jogo que vamos apresentar tem regras definidas pelos seus próprios jogadores, e continua a ser jogado independentemente do controlo e da verborreia política, mediática e cidadanista que o tentam perturbar. Como pragmaticamente respondeu um writer a um cidadão indignado com a existência de tinta de spray em todo o lado – e não apenas onde e quando embeleza a fachada deste gigantesco balde que tudo almeja conter -, “se queres as ruas limpas, vai limpá-las.”

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