terça-feira, 1 de junho de 2010

Confrontos - Manifestação de 29 de Maio

Depois de uma manifestação calma durante a tarde de 29 de Maio, os largos milhares de participantes começaram a dispersar. Vários concentraram-se em bares, cafés, nas ruas em volta ou ficaram simplesmente a conversar.

A certa altura, na Rua Portas de Santo Antão, alguns polícias conduzem um senhor até a um carro, algemando-o. Várias pessoas começaram a juntar-se à sua volta, procurando perceber o que se passava. Ao que parece, o senhor estava a ser levado algemado porque não tinha pago um café.
Várias das pessoas presentes na manifestação, bem como outros populares, começaram a apelar à polícia para não ser tão dura. A tensão começou a subir entre a polícia, chegaram mais forças da (des)ordem e também se foram juntando mais pessoas em protesto contra a desproporcionalidade da actuação policial.


A certa altura, havia centenas de pessoas na rua a vaiar a polícia e a gritar palavras de ordem como "repressão policial, terrorismo oficial". A polícia, entretanto apoiada por elementos das brigadas de intervenção rápida (BIR), começou a impôr a ordem. Uma senhora idosa que apenas passava no local foi empurrada, caiu e quase desmaiou. Várias outras pessoas foram empurradas com violência, forçadas a abandonar as esplanadas, face ao encerramento do local pela parte das autoridades. Ninguém podia passar.
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/1508


No momento seguinte, a polícia começa a carregar sobre as várias centenas de pessoas, que entretanto formavam uma barreira humana espontânea (muitos apenas por curiosidade) em frente à polícia. As bastonadas foram aplicadas indiferenciadamente sobre qualquer pessoa que não corresse o suficiente para fugir. Mas, melhor que relatos, estão aí as imagens para provar.
Fascismo nunca mais!"
http://pt.indymedia.org



Repressão da CGTP

Durante a manifestação a repressão foi outra, a polícia sindical foi sempre impedindo manifestantes anarquistas de participar na manifestação, ao que se foi cedendo sem qualquer provocação esperando por o fim da manifestação da propriedade da CGTP para entrar na rua. Ao fim de um tempo, foi-se descendo a rua pelo passeio, até que houve uma aberta no meio da manifestação e naturalmente e sem qualquer agressividade tentou-se entrar na rua onde a manifestação de protesto decorria, rapidamente a segurança da CGTP começou a empurrar os manifestantes e chegou a tirar a uma mulher panfletos anarquistas e a deita-los fora (ainda bem que não eram livros, ainda faziam alguma fogueira), após um burburinho, agressões foram trocadas e uma troca de insultos, lá nos fizeram o “favor” de nos deixar entrar na sua propriedade e foi-se descendo a rua tal como os restantes manifestantes.

O argumento que a manifestação pertencia à CGTP é no mínimo insólito, além do ridículo e abusivo que tal argumento é, vários grupos não afectos à CGTP participaram na mesma sem qualquer preocupação, mas desde o inicio o objectivo de dezenas de polícias sindicais foi a de não deixar os anarquistas, independentes e outros não-alinhados participar, como deixavam claro nos telefonemas trocados à nossa frente “sim estão aqui alguns, mas já estamos aqui para não os deixar entrar”.

Que ridícula a grande motivação de não deixarem meia centena de manifestantes participarem na manifestação, que pelos vistos tinha um proprietário, o proprietário do direito a protestar, para afinal bastar umas agressões para deixarem nos participar, se calhar só queriam molhar as sopas… Porque molhar as sopas em quem dizem combater… ‘tá de chuva….. Aí já são situações institucionais, legais e outros que tais

É bem sabido de como a greve e as manifestações estão hoje institucionalizadas e de efeitos que pouco passam o simbolismo, e são propriedades de sindicatos e não reivindicações directas nem expropriações dos operários que ficam um pouco a “toque de caixa” de patrões, estado e sindicatos que decidem décimas de percentagens em mesas onde nenhum deles pode chegar. Diminuíram a força anarco-sindicalista e dos próprios operários para ser dada força a um partido que desde cedo propôs como prioridade o fim da força operária e o inicio da obediência à ditadura bolchevique Russa e consequente extermínio da CGT em Portugal e aderência de todos os sindicatos à Internacional de Sindicatos Vermelhos, mas preocuparem-se quase 90 anos mais tarde com 50 manifestantes anarquistas e não-alinhados tal como se preocuparam com 100000 elementos da CGT de à 90 anos atrás é risível e nota-se a sua boa (triste) forma.
Sim as nossas reivindicações eram outras, mas o direito a protestar é o mesmo.

Contra o estado e patrões, pelas colectividades do povo, contra toda a autoridade, pela greve geral real e não por um dia sem trabalhar autorizado pelo estado e patrões, contra o capitalismo dos patrões e o capitalismo de estado, pela autogestão, pela liberdade.
É tempo de desmistificar o que é o anarquismo para todos, e fazer cair o preconceito que afecta todos os sectores da sociedade. É altura de beliscar até fazer mossa, o que queremos é uma sociedade horizontal, solidária e de apoio mútuo, de respeito pela individualidade e pela diversidade, de autogestão, sem fronteiras sem autoridade, ter nas nossas mãos o que é nosso, não é de patrões nem de estados. Não se pode apoiar um sistema corrupto, falido e explorador, não se reforma tal barbaridade. Uma democracia parlamentar é apenas ceder o poder aos outros, os nossos desejos, sonhos e liberdades. “Ser melhor que antes do 25 de Abril” não chega, acreditemos na nossa capacidade de sermos livres, donos do nosso destino, donos do nosso trabalho diferente dos moldes como existem hoje para servir apenas os outros, seja o estado da esquerda ou os patrões da direita.


SAÚDE E ANARQUIA!

http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/1510




Manifestação CGTP


Polícia armada agride manifestantes à bastonada

Por Frederico Pinheiro

Intervenção da polícia agrediu cerca de 15 pessoas há momentos na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Os agredidos integravam a manifestação de protesto convocada para hoje pela CGTP



Segundo apurou o SOL a confusão começou devido a um desentendimento entre um cliente de um café e um empregado desse mesmo estabelecimento que chamou de imediato a polícia.

Logo de seguida chegaram cerca de 20 polícias, incluindo elementos do corpo de intervenção, armados com carabinas, para tentarem apaziguar os ânimos.

No entanto, no local encontravam-se centenas de pessoas que tinham participado na manifestação contra o Governo, convocada pela CGTP do dia de hoje, e após algumas trocas verbais, a polícia começou a agredir manifestantes.
Os membros do corpo de intervenção da polícia começaram a agredir as pessoas presentes no local com bastões e alguns elementos da polícia à paisana agarraram em alguns manifestantes, atirarando-os para cima de esplanadas e contra as montras dos restaurantes.

Cerca de 20 minutos depois da confusão se ter instalado, a polícia chamou reforços de modo a ajudar as restantes forças políciais a se retirarem do local.
A maior parte dos polícias no local não se encontravam identificados.

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=174250