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domingo, 18 de abril de 2010

Manifestações na Grécia em solidariedade e contra a prisão de anarquistas

[“Liberdade para Marios Zervas. Nem um dia a mais na prisão”, foi o lema do Dia de Ação Helênico que ocorreu hoje (16 de abril) pela Grécia. O principal foco dos protestos aconteceu em Atenas.]

Sob forte presença policial nas ruas, com faixas e gritando palavras de ordem, uma multidão de mais de 5.000 pessoas protestou hoje, na capital grega, contra a prisão do ativista Marios Zervas, 28 anos, detido sem qualquer motivo um mês atrás, durante a grande Greve Geral de 11 de março no país.
(...)
Em todas as manifestações, além de exigir a liberdade de Mario, as pessoas protestavam contra o Estado, as agressões da polícia e o papel sujo dos meios de comunicação, especialmente com a notícia que foi exaustivamente repetida nos últimos dias, que tenta conectar os seis presos anarquistas (detidos no último sábado) como supostos membros da organização armada "Luta Revolucionária".

Sob forte presença policial nas ruas, com faixas e gritando palavras de ordem, uma multidão de mais de 5.000 pessoas protestou hoje, na capital grega, contra a prisão do ativista Marios Zervas, 28 anos, detido sem qualquer motivo um mês atrás, durante a grande Greve Geral de 11 de março no país. Desde então ele permanece na cadeia, sem julgamento. Marios usa dreadlocks (em anexo fotos do momento da sua prisão), e talvez este tenha sido o motivo da polícia de choque tê-lo como suspeito, prendê-lo e acusá-lo de tumultos, sem qualquer prova ou testemunhos.

No final da manifestação houve registros de choques entre manifestantes e a polícia na Avenida Panepistimoiu e no bairro de Exarchia.

Em Tessalônica, apesar da chuva, mais de 1.500 pessoas participaram da manifestação. Anteriormente, a polícia atacou cerca de 70 pessoas que se dirigiam para o protesto detendo três pessoas. Depois da manifestação, e como protesto contra as detenções e também a propaganda "antiterrorista" dos últimos dias levado a cabo pela mídia, um grupo de anarquistas ocupou a Faculdade de Jornalismo. Ela ainda permanece ocupada.

Na cidade de Patras mais de 400 pessoas participaram da manifestação. Em Iraklio, a solidez das pessoas mudou os planos iniciais, e a concentração no centro da cidade se transformou numa combativa manifestação com mais de 200 pessoas. Em um momento de tensão e sem qualquer provocação ou confrontação, a polícia prendeu duas pessoas. Depois do protesto, os manifestantes ocuparam a Pinacoteca Municipal da cidade.

Em Volos, cerca de 150 pessoas marcharam pelo centro da cidade. Na cidade de Ksánzi mais de 150 pessoas saíram às ruas. Em Livadia, local de nascimento de Mario, aproximadamente 150 pessoas também foram para as ruas. Em Janiáy e Mitilíni, perto de 100 pessoas se reuniram em distintas concentrações. Na cidade de Corfu, mais de 50 pessoas participaram de um protesto. Também foram realizadas manifestações em outras cidades da Grécia.

Em todas as manifestações, além de exigir a liberdade de Mario, as pessoas protestavam contra o Estado, as agressões da polícia e o papel sujo dos meios de comunicação, especialmente com a notícia que foi exaustivamente repetida nos últimos dias, que tenta conectar os seis presos anarquistas (detidos no último sábado) como supostos membros da organização armada "Luta Revolucionária".

Vídeo Atenas:

› http://www.youtube.com/watch?v=SOS2zjT2Yvw&feature=player_embedded

Fotos Tessalônica:

› http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1155119

agência de notícias anarquistas-ana

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Semana traz três feiras de livros anarquistas em diferentes cidades do mundo

[De maneira crescente e regular, cada vez mais se expande as feiras de livros anarquistas mundo afora, com grande diversidade de conteúdos. Os meses de abril e maio terão o exercício de várias. Abaixo destacamos três eventos que acontecem no próximo final de semana.]

[Espanha] 10ª Mostra do Livro Anarquista de Valencia

Teve início ontem (13 de abril) e vai até domingo a 10ª Mostra do Livro Anarquista de Valencia. O evento contará com a presença de vários autores de obras libertárias recém lançadas, como Miquel Amorós ("A carne viva. Exabruptos anticapitalistas"), Fernando Ventura ("Vida accidental de un anarquista"), Xavier Diez ("Venjança de classe. Causes profundes de la violència revolucionària a Catalunya el 1936"), Maria Angeles Maroto (“Antología del lenguaje machista”), entre outros escritores e escritoras. Diversas editoras e distribuidoras participarão do evento. Mais infos: http://mostrallibreanarquista.blogspot.com/



[EUA] 4ª Feira do Livro Anarquista de NYC

Nova York recebe neste sábado (17 de abril) a sua agitada 4ª Feira do Livro Anarquista, com assumido caráter internacional, com exposições de livros, zines, panfletos, arte, cinema/vídeo, e outras produções culturais e políticas da cena anarquista mundial, na Judson Memorial Church, em Manhattan. Além disso, no dia 18 haverá o 2º Festival Anual de Arte Anarquista com apresentações provocantes, performances, filmes, instalações e workshops de artistas de Nova York e do mundo. Os artistas envolvidos neste evento representam uma ampla gama da inovação radical e anarquista contemporânea, desafiando os gêneros tradicionais e classificações fáceis. Os organizadores prometem promover e celebrar a diversidade da comunidade anarquista, representando os artistas dos seguintes grupos: LGBTQ e a subcultura radical. O famoso grupo The Living Theatre participará das atividades. Mais infos: http://www.anarchistbookfair.net


[Bélgica] 9ª Feira Internacional do Livro Alternativo em Gent



No próximo sábado (17 de abril) acontece à nonagésima edição da Feira Internacional do Livro Alternativo de Gent, apresentando dezenas de expositores, editoras e distribuidoras da Bélgica, Holanda, França, Inglaterra e Alemanha. O evento trará publicações críticas, polêmicas e difíceis de encontrar em livrarias comerciais, sobre anarquismo, anti-globalização, ação direta, anti-militarismo, filosofia política, ativismo ambiental radical, anarco-feminismo, e muito mais. Simultaneamente acontecerá um variado programa de atividades culturais, oficinas, palestras, mostra de documentários, workshops, apresentações musicais... Mais infos: www.aboekenbeurs.be

terça-feira, 13 de abril de 2010

17 de Abril - Jantar vegetariano de apoio à Feira do Livro Anarquista de 2010 - CCL, Almada


Jantar vegetariano
de apoio à Feira do Livro Anarquista de 2010

http://feiradolivroanarquista.blogspot.com

17 de Abril – 20h
menu: seitan à alentejana

contribuição: 3 euros


Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. – Cacilhas – Almada







Texto de apresentação da Feira do Livro Anarquista 2010:



Estamos de volta!

A partir das publicações, do convívio e dos debates queremos partilhar experiências, discutir ideias e possíveis esforços futuros na luta contra a autoridade em todas as suas formas e manifestações.

Numa tentativa de descobrir potenciais cúmplices, continuamos a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.


21, 22 e 23 de Maio 2010
Lisboa


Entrega de proposta de actividades até dia 8 de Abril e bancas até 24 de Abril

Para mais informação:
feiradolivroanarquista.blogspot.com
feiradolivroanarquista@gmail.com



Dia 17 de Abril - Concertos no Club Aljustrelense - Aljustrel


Dia 17 de Abril 22h
Club Aljustrelense - Aljustrel

Kostranostra (Valência) http://www.myspace.com/kostranostrapunk
Albert Fish (Lisboa) http://www.myspace.com/albertfish77
Skina Karroça (Portimão) http://www.myspace.com/skinacarroca





16 de Abril : Concertos Casa Viva, Porto


Concerto Anarcopunk

Dia 16 de Abril Sexta-feira 20h

Kostranostra (Valência) http://www.myspace.com/kostranostrapunk
Siervos de Nadie (Galiza) http://www.myspace.com/siervosdenadie

Casa Viva
Pç. Marquês de Pombal 167 Porto



domingo, 11 de abril de 2010

Solidariedade: Resumo e actualização do caso dos 6 de Belgrado Secção AIT


Reproduzimos a tradução para português de uma declaração da Iniciativa Anarco-Sindicalista (ASI), secção sérvia da AIT, datada de 4 de Abril de 2010, sobre o caso dos 6 de Belgrado e a repressão exercida pelo Estado da Sérvia sobre o movimento libertário. Apela-se à realização de acções de protesto que conduzam ao fim da repressão sobre os anarquistas neste país.

A classe dirigente da Sérvia continua a repressão reforçada contra o movimento libertário, uma repressão que teve início com a detenção dos seis de Belgrado – Sanja Dojkić, Tadej Kurepa, Ratibor Trivunac, Ivan Vulović, Nikola Mitrović e Ivan Savić – em Setembro de 2009. O grupo “Crni Ilija”, até então desconhecido, reivindicou a responsabilidade pelo lançamento de duas garrafas de líquido inflamável no pavimento perto da Embaixada da Grécia em Belgrado, como reacção contra o tratamento desumano dado pelo Estado Grego aos rebeldes, causando danos à Embaixada no valor de 18 euros. Os media do regime, apoiados pelos analistas do regime e por “fontes bem informadas”, lançaram uma perseguição contra a única organização anarquista que actua publicamente na Sérvia – a Confederação Sindical “Iniciativa Anarco-Sindicalista” (ASI), secção da Associação Internacional dos Trabalhadores. Aquilo que começou como uma especulação mediática sobre a ligação entre a ASI e os acontecimentos da Embaixada foi completado com a detenção de quatro membros do grupo local da ASI em Belgrado e de outros dois anarquistas desta cidade e, mais tarde, após a intervenção de “altos cargos”, com o agravamento da primeira acusação para a de crime de “terrorismo internacional”. Os 6 de Belgrado passaram cerca de cinco meses e meio em terríveis condições de isolamento e de tortura na Prisão Central de Belgrado.

A reacção à manifesta arrogância e às visíveis acções repressivas do Estado, reflectidas na fabricação de provas contra os anarquistas e na absurda qualificação desta acção como “terrorismo internacional”, serviu de base para a mobilização massiva da opinião pública crítica contra este processo, que foi imediatamente rotulado como um processo político contra os críticos do regime. Durante o período em que os 6 de Belgrado permaneceram sob custódia, a opinião pública, tanto na Sérvia e na sua região como no mundo inteiro, reagiu energicamente contra o comportamento das autoridades sérvias. Além de grande número de petições públicas e de cartas de protesto, o movimento libertário organizou uma série de acções de protesto – na Sérvia, bem como na Croácia, Macedónia, Eslovénia, Polónia, Eslováquia, Portugal, Áustria, Austrália, Grã-Bretanha, Rússia, Ucrânia, Grécia, República Checa, Holanda, Bulgária, Alemanha, Hungria, Itália, França, Turquia, EUA, Suíça, Suécia, Espanha, etc... Os protestos e actividades de apoio aos anarquistas presos contaram com a participação de muitos intelectuais, artistas e figuras públicas, críticos de todo o território da antiga Jugoslávia. O interesse provocado pelo caso e a pressão pública desempenharam, sem dúvida, um papel crucial na revogação da detenção dos 6 de Belgrado. Durante a primeira audiência, que teve lugar no dia 17 de Fevereiro, à qual tentaram assistir mais de 200 pessoas da Sérvia e de outros países, o tribunal decidiu pela revogação da detenção preventiva após ouvir as declarações dos réus, permitindo aos anarquistas acusados a continuação da sua defesa em liberdade.

Apesar da vitória obtida com a libertação dos acusados, que possibilita a sua defesa em liberdade, o Estado, durante todo o período de detenção, durante o julgamento e após o mesmo, demonstrou claramente que não pretende reduzir a pressão sobre a ASI e sobre o movimento libertário em geral. Logo no final de Outubro de 2009, três membros do grupo local da ASI em Vršac – Ivan Feher, Nenad Horvat e RK – foram detidos por colarem cartazes com a frase “Liberdade para os anarquistas detidos” num local próprio para este fim. As autoridades montaram contra eles um processo criminal com a acusação do recente e muito controverso crime de “obstrução à justiça”. Um processo pelo mesmo crime foi também movido contra outros dois anarquistas – Rada Živadinović, cidadão sérvio residente em Viena, e Davor Bilić, de nacionalidade croata – que se deslocaram a Belgrado por ocasião do julgamento para manifestar apoio aos companheiros presos. Na entrada do tribunal, desdobraram um papel com a frase escrita à mão “Anarquismo não é terrorismo” e afixaram-no contra a janela da sala da audiência durante alguns segundos. Os dois foram imediatamente detidos pela polícia, permanecendo detidos por um período superior ao legalmente permitido, após o que foram libertados, mas acusados de “obstrução” e com os seus passaportes confiscados. Há mais de um mês e meio que estão impedidos de sair da Sérvia, tendo as investigações demonstrado que o juiz Dragomir Gerasimović não foi obstruído no desempenho das suas funções por esta acção. Apesar disto, a procuradora do ministério público Svetlana Nenadić decidiu, a 23 de Março, a instauração de mais um processo político, que desta vez se destaca pelo facto de não haver nenhuma parte lesada. Após ter sofrido uma primeira derrota no julgamento, o Estado decidiu utilizar formas alternativas de repressão e intimidação contra os anarco-sindicalistas. No início de Março, surgiram cartazes com o título “Conhece os teus vizinhos! Conhece os inimigos da Sérvia!” perto da entrada de um bloco de prédios em Belgrado. No cartaz figurava a fotografia de um dos anarco-sindicalistas de Belgrado acusados, Ivan Vulović, que vive no bloco mencionado. O apelo ao linchamento contém uma lista fictícia de “crimes” cometidos pela ASI e a frase “se um tribunal corrupto não os julgar, haverá quem o faça”, bem como a ameaça de natureza fascista-policial “Sabemos onde vives, sabemos quando dormes”.

Desde o início desta onda de repressão contra a ASI, muitos dos seus membros estão sob constante vigilância policial e são regularmente ameaçados e interrogados pela polícia. A polícia criou uma atmosfera de medo no seio do movimento, que causou a paralisação de muitos companheiros, e só após a libertação dos 6 de Belgrado começámos a ver os primeiros passos de uma séria reconstrução do movimento e da Iniciativa Anarco-Sindicalista. Apesar de ter desestabilizado partes do movimento, e de ter de facto empurrado a nossa organização para a ilegalidade por um período determinado, a onda de repressão não nos destruiu, e agora, enriquecidos com novas experiências e fortalecidos nas nossas ideias, conseguimos construir posições que nos permitirão começar a ripostar.

No período que se seguiu à primeira audiência, Ivan Savić e Ratibor Tribunac encontraram-se com o Provedor de Justiça da República da Sérvia Saša Janković e com o seu adjunto para os direitos das pessoas privadas de liberdade, Miloš Janković. Foram-lhes apresentadas provas da tortura sofrida por Ivan Savić, a quem os guardas tentaram extorquir, por meio de estrangulamento, a confissão de que planeava matar o cônsul grego em Belgrado com duas bombas defensivas, e foram-lhes dadas informações sobre as violações dos direitos sofridas por Ratibor Trivunac enquanto esteve detido. Durante a reunião com o Provedor de Justiça, o mesmo foi informado de que qualquer nova escalada legal, sob a forma de casos fabricados contra os anarco-sindicalistas de Vršac e contra os companheiros cujos passaportes foram apreendidos, não será tolerada, enquanto que o Provedor salientou especificamente a privação ilegal de liberdade que foi levada a cabo pelas autoridades judiciais contra Rada e Davor após o fim do limite de 48 horas de detenção. No mesmo período, membros dos seis de Belgrado foram contactados por representantes da União Europeia que propuseram uma reunião a respeito do caso.

Na terça-feira, 23 de Março, realizou-se a segunda audiência contra os seis anarquistas de Belgrado. Chantageados com a possibilidade de adiamento do julgamento por mais um mês e de prolongamento do processo-farsa por tempo indetermindado, os réus foram forçados a participar na segunda audiência sem a presença do público interessado, que de novo se reuniu em grande número nos corredores do tribunal. Mesmo os familiares próximos foram impedidos de acompanhar a audiência. Os acusados e os seus advogados apenas puderam tomar conhecimento de que as acusações tinham sido alteradas de “terrorismo internacional” para “criação de perigo público” através dos media, que divulgaram a declaração do porta-voz do gabinete do ministério público Toma Zorić. Nem os acusados nem os seus advogados foram informados de qualquer mudança na acusação antes da segunda audiência e só puderam tomar conhecimento da mesma no dia do julgamento – durante a pausa que lhes foi concedida para esse fim pelo juiz Dragoljub Gerasimović, que agora está a conduzir o julgamento de forma sumária. Segundo a nova acusação, os seis anarquistas de Belgrado são acusados de cumplicidade e execução do ataque contra a Embaixada da Grécia em Belgrado com o objectivo de apoiar o rebelde grego Theodoros Iliopoulos “cometendo, portanto, um crime de criação de perigo público”. A mudança da acusação foi produzida por uma nota do gabinete do Ministério Público de Belgrado em 22 de Março e foi entregue a um tribunal superior em Belgrado. A nota afirma na primeira frase que os documentos do objecto criminal K-1633/10 são devolvidos ao tribunal “juntamente com a acusação alterada que indica que”, repetindo a seguir quase literalmente o texto da primeira acusação, no qual, sem qualquer explicação, somente foram alterados o nome do crime de que os réus são acusados e os parágrafos da lei criminal que são geralmente usados para este tipo de casos. Contrariamente à primeira acusação, devido à pressão pública, o gabinete do ministério público decidiu abandonar a tentativa de criminalização da nossa organização. Assim, nesta versão da acusação, não existe a afirmação de que o ataque foi levado a cabo pela organização da Confederação Sindical “Iniciativa Anarco-Sindicalista” (ASI). Baseando-se na acusação fabricada, qualificando pela segunda vez como crime pelo qual os 6 de Belgrado são acusados o pequeno delito praticado por indivíduos desconhecidos em frente da Embaixada da Grécia em Belgrado, o Estado dá continuidade à repressão sobre libertários e membros proeminentes da nossa organização. As contradições que constituem larga parte da acusação são a base através da qual a defesa dos acusados tem vindo a demonstrar, com grande sucesso, o vazio das acusações do ministério público. Como exemplo, foi de novo confirmado que Ivan Savić e Nikola Mitrović não estiveram presentes no local dos acontecimentos, ao contrário do que é indicado na acusação. A próxima audiência do julgamento, na qual é muito provável que o veredicto seja produzido, está agendada para 23 de Abril. Então, será ouvida mais uma testemunha da defesa e serão feitas as alegações finais.

A Confederação Sindical “Iniciativa Anarco-Sindicalista”, com o apoio do movimento libertário na Sérvia e em todo o mundo, e de toda a opinião pública democrática, exige que o Estado Sérvio retire as acusações absurdas contra os 6 de Belgrado e pare completamente com o processo-farsa de que são alvos. Também exigimos que as acusações contra os três companheiros detidos em Vršac e contra os dois detidos no julgamento sejam retiradas, pondo fim a estes processos. Exigimos que os passaportes sejam devolvidos a Davor e a Rada, e assim permitir que regressem às suas casas. É de extrema importância continuar a pressionar o Estado da Sérvia até que o veredicto contra os nossos companheiros seja produzido, e com este objectivo espera-se a realização de acções de protesto até 23 de Abril e uma grande afluência no próprio julgamento. A solidariedade é a nossa arma!

Belgrado, 4 de Abril de 2010


Secretariado internacional da Confederação Sindical “Iniciativa Anarco-Sindicalista”, secção sérvia da Associação Internacional dos Trabalhadores

[Traduzido do inglês pela Secção Portuguesa da AIT - blog: http://ait-sp.blogspot.com/]

terça-feira, 6 de abril de 2010

10 de Abril - Workshop de Serigrafia, Coimbra




curso basico de serigrafia, onde se vão ensinar todos os passos necessários para se fazer uma impressão pela técnica serigráfica.
começa-se por uma parte teórica sobre o que é e como se trabalha em serigrafia, e isso vai sendo acompanhado pela parte prática. neste curso vão-se adquirir os conhecimentos básicos para que se possa imprimir em serigrafia.

-a tela de serigrafia.
-montar e preparar um quadro.
-preparar uma imagem para a revelação do quadro.
-fotosensibilizar o quadro.
-preparar o quadro para a impressão.
-Impressão

a serigrafia permite imprimir em praticamente todos os materiais. no entanto, a minha actividade em serigrafia é geralmente em tecidos, por isso, peço aos participantes que tragam suportes para praticarem as impressões, tshirts, tecidos, etc., que podem ser usados. ha certo tipo de tecidos em que não é conveniente imprimir, mas é bom que apareçam, pois com os "erros" tambem se aprende...por isso, tragam roupa velha para praticar...

quem tiver imagens que gostasse de ver impressas, tambem as pode enviar para bugadazcoubz@gmail.com, para que eu as possa tratar previamente para impressão. (durante o curso mostro os passos)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

Agora que o sol voltou, vamos em visita à escola da Ponte?


Estava prometida uma visita da Gato Vadio, e dos habituais amigos e amigas do projecto, à escola da Ponte.

Esta visita é aberta à participação de todos os interessados que queiram conhecer esta escola única no país.

A Gato Vadio, além de convidar todos os “vadios e vadias” a rumarem a Vila das Aves, lança a ideia de organizarmos um núcleo de pessoas que desejem criar uma incubadora de um projecto pedagógico no Porto, baseado nas mesmas práticas humanas e pedagógicas da escola da Ponte.

Para facilitar a logística de uma visita colectiva, sugerimos aos interessados a opção confortável de irmos de comboio. A estação fica muito perto da escola da Ponte e a partida seria de São Bento (Porto) e/ou Campanhã.

Apontamos os seguintes dias para efectuarmos a visita:

15 de Abril, quinta-feira
20 de Abril, terça-feira
21 de Abril, quarta-feira

A saída poderia ser no comboio das 10h05 (São Bento). Demora 1h05 e custa 1,80€.
Por favor, os interessados devem enviar um email para gatovadio.livraria@gmail.com com o assunto “visita à escola da Ponte” indicando o dia em que preferem fazer a visita e deixando o contacto.

Até ao dia 10 de Abril responderemos aos interessados, divulgando os vários agrupamentos de acordo com os 3 dias sugeridos. Nada obsta, obviamente, a que se façam 3 visitas nos três diferentes dias sugeridos. No entanto, seria mais interessante agrupar o maior número de pessoas numa só visita.

Por favor, enviem-nos sugestões sobre esta proposta de visita.

Para quem ainda não conhece, segue uma breve apresentação da escola da Ponte:

A Escola da Ponte foi fundada em 1976. Encontra-se numa área aberta em Vila das Aves. Os alunos formam grupos heterogéneos, não estando classificados, agrupados ou distribuídos por turmas nem por anos de escolaridade que, na prática, não existem. Não há salas de aula mas sim espaços de trabalho, onde não existem lugares fixos. Essa subdivisão foi substituída, com vantagens, pelo trabalho em grupo heterogéneo de alunos. Do mesmo modo, não há um professor encarregado de uma turma ou orientador de um grupo; em vez disso, todos os alunos trabalham com todos os orientadores educativos.

Quinzenalmente os grupos de trabalho (alunos) decidem que actividades vão fazer na quinzena; diariamente os elementos dos grupos de trabalho fazem o seu plano de tarefas diárias em consonância com os objectivos estipulados quinzenalmente por todos.

A escola reúne semanalmente em assembleia-geral. Todos dispõem dos mesmos direitos neste espaço de debate, discussão e decisão sobre os problemas da escola. A assembleia é aberta à população da vila.



Dos princípios fundadores que orientam a escola e todos aqueles que dela fazem parte, salientamos dois:

“A intencionalidade educativa que serve de referencial ao projecto Fazer a Ponte orienta-se no sentido da formação de pessoas e cidadãos cada vez mais cultos, autónomos, responsáveis e solidários e democraticamente comprometidos na construção de um destino colectivo e de um projecto de sociedade que potenciem a afirmação das mais nobres e elevadas qualidades de cada ser humano.”

“A Escola não é uma mera soma de parceiros hieraticamente justapostos, recursos quase sempre precários e actividades ritualizadas – é uma formação social em interacção com o meio envolvente e outras formações sociais, em que permanentemente convergem processos de mudança desejada e reflectida.”



(ver mais info em: http://www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/)



Vamos fazer a Ponte!

Gato Vadio




1 de Abril, concertos na Kylakancra


No Vale de Ana Gomes
subúrbios de Setúbal

kylakancra@gmail.com

quinta-feira, 18 de março de 2010

FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA dias 21, 22 e 23 de Maio de 2010


Estamos de volta!

A partir das publicações, do convívio e dos debates queremos partilhar experiências, discutir ideias e possíveis esforços futuros na luta contra a autoridade em todas as suas formas e manifestações.

Numa tentativa de descobrir potenciais cúmplices, continuamos a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.


21, 22 e 23 de Maio 2010
Lisboa


Entrega de proposta de actividades até dia 8 de Abril e bancas até 24 de Abril

Para mais informação:
feiradolivroanarquista.blogspot.com
feiradolivroanarquista@gmail.com

FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA 2010_ Convite para exposição de cartazes

A Feira do Livro Anarquista de Lisboa irá acontecer de 21 a 23 de Maio e, para além das bancas, dos debates e do convívio queremos organizar uma exposição de cartazes que tente abranger focos de luta em que nos revemos, vindos de diferentes lugares.

O cartaz, enquanto meio de comunicação público, enquanto transmissor de mensagens e imagens que denunciem e ataquem a autoridade sob todas as suas formas, tem a sua própria estética, mensagem e transmite o pulsar da revolta em determinada época e lugar.



Queremos forrar as paredes do espaço da nossa feira com vários cartazes e contamos com a vossa ajuda para o fazer.

Se possível, enviem uma tradução (português, castelhano, francês, italiano e inglês) do conteúdo do cartaz.

Esperamos também que possam aparecer!

Data limite: 1 de Maio

Morada:
Centro de Cultura Libertária
Apartado 40
2800-801
Almada - Portugal

segunda-feira, 15 de março de 2010

20 de Março - CCL (Almada) - "Os Conspiradores do Prazer" + Jantar Benefit para a COSA

16h30 - "Os Conspiradores do Prazer" de Jan Švankmajer

20h30 - Jantar vegetariano em solidariedade com a C.O.S.A. (contribuição livre)

Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada
http://culturalibertaria.blogspot.com

"Os Conspiradores do Prazer"

Filme do surrealista checo Jan Švankmajer em que uma série de personagens se envolvem em cena na procura dos prazeres mais mirabolantes. Inspirado por Sacher Masoch, Marques de Sade, Buñuel e Max Ernst, Švankmajer consegue ir até aos limites da imaginação humana ao expressar neste filme as formas mais estranhas mas também mais obscuras e intrínsecas na procura do prazer sensual e sexual, sempre duma forma absurda e hilariante. Sem que exista própriamente uma linguagem, a expressividade das personagens surge-nos através da música que acompanha cada uma delas em cena. Este filme é assim uma viagem pelos limites da imaginação humana na sua procura pelo prazer sensual.

Duração: 85 minutos

Club Aljustrelense - Apresentação da revista Alambique nº3 com jantar, conversa e concerto - ADIADO - DATA A ANUNCIAR EM BREVE

ADIADO - NOVA DATA A ANUNCIAR EM BREVE

no Club Aljustrelense

Jantar + Conversa + Apresentação Alambique nº 3 + Concerto Massey Fergunson

Alambique nº 3: http://www.fastnbulbous.eu/fnb/alambique03_BQ.pdf

http://www.goncalvescorreia.blogspot.com

Do editorial…

As páginas que se seguem cruzam-se propositadamente entre si. Nelas surge um olhar para um passado (recente), que não tem outro objectivo senão o de querer experimentar agora um possível futuro. Quisemos reaver uma história cujo silêncio dos seus protagonistas – a geração dos nossos pais – é muito mais incómoda do que a lembrança diária de vivermos numa sociedade alienada. Daí a importância, como nos diz Jorge Valadas, de recuperar na nossa memória social as virtualidades da insurreição social do 25 de Abril. E ver que o problema não foi a derrota, mas a integração e a submissão desses homens e mulheres cujos valores transmitidos aos seus filhos assentaram unicamente nos valores consumistas desta sociedade capitalista do bem-estar e do progresso.

Hoje não se luta por grandes ideais. Mas os anarquistas sabem-se acompanhados na crescente conflituosidade social de quem hoje luta pela sua sobrevivência quotidiana. Por mais “planos tecnológicos” de desenvolvimento que nos rodeiam e que nos prometem, o sistema é cada vez mais incapaz de esconder os sinais da sua própria crise e falência. O cada vez maior aparato estatal e de controlo que nos cerca, apenas nos envolve cada vez mais nesse estado de latente conflito, sobre o qual a principal preocupação que reina, é a de que por via do medo nos digladiemos apenas uns com os outros e não saibamos dirigir pronta e directamente o ataque.

A necessidade de referências, é pois, mais do que nunca necessária para ajudar a agir e a pensar o futuro. Uma das referências que temos insistido surge em torno da “ruralidade”. Porque no evoluir da relação do Homem com o Campo se explica hoje boa parte do desastre da presente humanidade, edificada que foi esta numa relação do domínio tecnológico e economicista sobre a natureza. Uma relação que esvaziou e impediu a sã relação do homem com a terra, naquilo que era a ruralidade. Reivindicar essa memória telúrica com a natureza, não só é urgente como pode acontecer em várias e diversificadas experiências que podemos empreender.

Estes caminhos futuros não serão possíveis sem um compromisso, antes de tudo individual, e o qual, por diversas formas, assumirá um sem fim de possibilidades. E para que ainda estejamos a tempo, não há lugar nesse caminho ao consenso com o desenvolvimento capitalista que agora dizem de sustentável. Como não há tempo para que as nossas vidas sejam mediadas pelo sindicalismo que negoceia a “paz social” com os patrões, ou com os ecologistas que se esgrimem por um minuto verde nestas horas de morte… “A ruptura, quando existiu e se existir de novo, só será possível a partir de um movimento social profundo que põe em causa os fundamentos da produção actual, a sua lógica”.

sábado, 13 de março de 2010

Nova jornada de protestos e greves na Grécia


Dezenas de milhares de pessoas protestaram nesta quinta-feira (11) em toda a Grécia contra as medidas de austeridade econômica anunciadas pelo governo grego na semana passada. Estima-se que pelo menos 150 mil pessoas participaram de uma passeata no centro de Atenas. Em Tessalônica, a segunda maior do país, aproximadamente 20 mil pessoas tomaram as ruas da cidade gritando palavras de ordem contra banqueiros e autoridades.

A greve de 24 horas paralisou os transportes aéreos e marítimos, assim como os serviços ferroviários. Apenas uma linha de metrô funcionou em Atenas, para permitir aos grevistas o comparecimento às passeatas. Os demais transportes urbanos, como ônibus e bondes, foram completamente paralisados.

O protesto provocou também o fechamento das escolas e dos prédios da administração pública. Bancos e grandes empresas do setor público, como água, telefonia e luz, funcionaram com um pequeno efetivo. Os hospitais públicos tiveram apenas os serviços de emergência.

O país também esteve sem informações nas rádios e canais de televisão, já que o sindicato de jornalistas aderiu à paralisação. Os veículos de informação transmitiram apenas músicas e programas de entretenimento. Os jornais não serão publicados na sexta-feira.

Muitos donos de lojas no centro da capital fecharam as portas, em uma medida de precaução contra possíveis distúrbios nas manifestações.

Em Atenas, o principal foco dos protestos, grupos de anarquistas quebraram vitrines de lojas de luxo, multinacionais, bancos e carros, além de lançar coquetéis molotov e bombas de tinta contra policiais. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para conter os manifestantes anarquistas. Houve duros confrontos em frente ao Parlamento e também perto da Universidade Politécnica. Dezenas de manifestantes foram detidos.

Também houve registros de expropriações de pelo menos dois supermercados pertencentes a uma grande empresa na capital helênica.

Fotos:

› http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1142306

› http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1142386

agência de notícias anarquistas-ana

[Espanha] Amadeu Casellas é libertado depois de 24 anos preso


Foi libertado nesta terça-feira (9), ao meio-dia, o anarquista Amadeu Casellas, depois de passar 24 anos preso.

O diretor da prisão de Girona unificou os expedientes do antigo código penal e do novo e, uma vez feito os cálculos de penas, concluiu que Casellas já tinha cumprido oito anos de carceragem que não lhe correspondiam. Há muito tempo que Casellas e seus companheiros denunciavam esta situação, mas os responsáveis pela Justiça e centro penitenciários espanhóis "sempre tinham recusado" tal demanda.

Amadeu Casellas foi preso por ter participado numa série de assaltos a bancos com o objetivo de financiar lutas anarquistas, sociais e operárias na Espanha dos anos 70. Em nenhuma ação ele cometeu crime de sangue.

agência de notícias anarquistas-ana

quinta-feira, 11 de março de 2010

Jantar Árabe no Terra de Ninguém


Este Sábado, a partir das 20h

No espaço anarquista
Terra de Ninguém
R. do Salvador, 56
Alfama
Lisboa

www.terradninguem.blogspot.com

terça-feira, 9 de março de 2010

Boletim Anarco-Sindicalista nº 34 (Janeiro-Março 2010)

Download em PDF: http://www.freewebs.com/aitbas/bas/BAS_34.pdf

http://ait-sp.blogspot.com

Chile – Um companheiro descreve a situação terrível que se vive em Concepción


Retirado e traduzido de hommodolars.org, via http://sysiphus-angrynewsfromaroundtheworld.blogspot.com

Companheiros, estamos a escrever para vos dar a conhecer a delicada situação vivida na cidade de Concepción. Temos sido tema de notícia nos media, de forma mórbida e insensível, apoiante da extrema militarização e medidas de segurança hoje em dia tão ridículas que temos apenas 6 horas por dias de “livre trânsito”. Além do mais, queremos denunciar a escassez que atingiu a grande maioria de cidadãos pobres, que obtêm muitas promessas mas nenhuma solução.

1. Até hoje, nenhuma autoridade – àparte o exército – apareceu nas zonas pobres nem que fosse para examinar os danos provocados pelo sismo, ou para saber se as pessoas estão vivas ou mortas.

2. Por exemplo: no bairro de Aguita de la Perdiz os cidadãos, em desespero, foram saquear em massa o supermercado Santa Isabel. Este supermercado não vende bens electrónicos nem de luxo, e as pessoas levaram aquilo de que precisam, ou seja, comida e água. O mesmo aconteceu noutras zonas pobres. Por sua vez, a televisão noticiou ad nauseum uma imagem de alguém a luvar um écran de plasma. Não estamos a condenar o saque de bens electrónicos, apenas a constatar que este é um fenómeno em pequena escala, comparado com o saque de produtos que são indispensáveis, como comida, água e leite.

3. Devido aos saques, as autoridades decidiram “punir” diferentes regiões, deixando-as sem qualquer ajuda e nao reestabelecendo serviços essenciais. A presidente da câmera, recentemente nomeada governadora da região pelo governo de direita, assumiu-o abertamente.

4. Agentes da PDI têm espalhado boatos absurdos, como o de “hordas” de delinquentes terem descido à cidade (não há gasolina e há soldados em todo o lado. Como é que estas “hordas” chegavam lá, de helicóptero?). Tudo isto criou um clima de insegurança e paranóia entre os cidadãos, que criaram grupos de vigilantes nas suas zonas durante a noite, com paus e armas de fogo. Uma situação verdadeiramente perigosa que, juntamente com o cansaço, a tensão e a fome pode desencadear actos de violência entre os próprios pobres.

5. Neste momento a comida começa a escassear nas áreas mais pobres e não há dinheiro para comprar nada.

6. As condições de saúde são terríveis, as crianças e os velhos começam a adoecer. A clínica e o hospital estão em colapso.

7. NÃO TEMOS NENHUMA AJUDA. Se não tivessem havido saques durante os últimos dias as pessoas nas áreas mais pobres estariam a morrer à fome. Sabemos que a situação é ainda mais trágica noutras cidades, mas este “castigo” de toda uma região por não ter respeitado a ordem estabelecida parece-nos um comportamento criminoso, para não dizer mais. Por fim, consideramos que os boatos espalhados de forma deliberada pelo PDI devem ser considerados actos de terrorismo, pois visam lançar o terror entre os pobres.

Raids políticos em Turim contra anti-racistas

A 23 de Fevereiro agentes da DIGOS fizeram buscas em dezenas de casas de companheiros em Turim e noutros locais no norte de Itália, sob ordens do procurador Padalino. Seis companheiros foram detidos (três estão na prisão e os restantes em prisão domiciliária) e muitos outros viram as suas casas invadidas por agentes uniformizados que apreenderam computadores, telemóveis e caixas de papéis. A acusação justificativa desta enorme operação policial é, como de costumes, a de conspiração, a qual permite aos polícias prender companheiros acusados de nada mais do que... a sua actividade anti-racista!

Como denotam os relatórios policiais, de facto, as acusações contra os companheiros estão ligadas a iniciativas públicas, concentrações, acções nas ruas e nas praças, distribuição de flyers; tudo coisas que visam romper o silêncio que reina no racismo generalizado e no delírio securitário característicos da Itália actual.

Para quem ainda não reparou, campos de concentração podem ser encontrados por toda a Itália, onde mulheres e homens são fechados à chave, cujo único “crime” foi o de conseguirem fugir dos seus países sem se afogarem como centenas de outros migrantes. Raids e deportações obrigam os habitantes de bairros pobres a viveram como clandestinos e, o que é pior, a submeterem-se e aceitarem condições de vida e de trabalho cada vez mais miseráveis. Os “Italianos”, por sua vez, parecem incapazes de fazerem seja o que for a não ser apanhar os escassos privilégios que um capitalismo agonizante lhes deixou, à medida que lhes é feita uma lavagem ao cérebro por uma incessante propaganda racista que instiga medo e despoleta uma guerra entre os explorados.

Esta operação da polícia é a enésima tentativa, desta vez levada a cabo de forma sensacionalista, de silenciar aqueles não se resignaram ao medo, aqueles que ainda se atrevem a praticar a solidariedade contra a exploração e a gritá-la bem alto no meio do silêncio. As acusações, como dissemos, baseiam-se na solidariedade que os companheiros investigados são culpados de terem expressado com os migrantes em luta, com uma incansável e vigorosa luta a decorrer nos CIE’s (centros de detenção de imigrantes) dos país e, neste caso em particular, no CIE de Corso Brunelleschi, em Turim.

Não é por acaso que no contexto desta operação a polícia também tenha feito buscas no local da Radio Black Out, a única rádio livre nas ondas de Turim, de cujos microfones alguns dos anti-racistas detidos costumavam falar; uma rádio que, apesar das consequências, deu voz às muitas lutas que perturbam a indiferença e a passividade de Turim, das dos imigrantes às dos estudantes, das dos trabalhadores às dos activistas NO TAV. Assim, não surpreende que os poderosos de Turim e os seus polícias se sintam perturbados e assustados com o barulho da batalha travada contra eles; e portanto estão a tentar atingir aqueles que nunca esconderam a determinação de soprar no fogo da revolta de modo a alimentar os poucos mas dignos sinais de vida numa cidade de morte.

NÃO VAI SER UM SUJO PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO E OS SEUS POLÍCIAS QUE VÃO PARAR A SOLIDARIEDADE, O ANTI-RACISMO E A VONTADE DE LUTAR!

Anti-racistas sem fronteiras

Sobre as detenções a 15 de Fevereiro em Paris (França)

A 15 de Fevereiro, às 6h da manhã, 7 pessoas foram detidas e as suas casas foram alvo de buscas em Paris, como parte de uma investigação sobre o apoio relativo à rebelião no centro de detenção de Vincennes, e contra a máquina de deportação. De seguida fica mais informação e actualizações sobre estes acontecimentos...

Buscas e despertar às 6h da manhã
Não houve portas arrombadas, e na maior parte do tempo foi possível obter alguns minutos antes de os polícias entrarem (e antes de ameaçarem arrombar a porta).
No total, 50 polícias da polícia anti-terrorista (SAT) da Brigada Criminal (acompanhados por DCRI, Brigada Fiscal, especialista em tencologias informáticas,..) foram mobilizados para esta vaga de detenções. Principalmente, estavam à procura de roupas (em particular cachecóis, vestuário para a cabeça, sweat-shirts, sapatos), mas também flyers, panfletos e cartazes sobre o tema, e em especial os que se opõem à máquina de deportação. Como é óbvio, também apreenderam computadores, telemóveis, agendas, assim como latas de tinta de spray, faixas (“Novembro 2005-Deembro 2008, o fogo continua” e “Não à Nato, Não aos Taliban, desertemos das guerras dos poderosos”). (Os polícias tiraram uma série de fotografias a vários documentos e livros...)
Por fim, beatas de cigarros e escovas de dentes foram levadas para análises ao ADN; e algumas pessoas chegaram ao ponte de lhes serem “pedidas” roupa interior, em vão claro; e num excesso de zelo foram espregados cotonetes em lençóis.
Em seguida, as pessoas foram levadas para interrogatório. Também foram interrogadas outras pessoas presentes durante as buscas. Lembramos de passagem que convém estar presente.


Interrogatórios
Não dizer nada, recusar responder aos polícias e não assinar quaisquer dos seus papéis enquanto se está detido não é tanto uma questão de princípios, mas uma questão bastante prática. Numa situação de detenção, esse é o momento do polícia, onde tudo é feito para se obterem confissões, e tudo o que disseres pode ser usado contra ti... E apesar das técnicas de pressão dos polícias, sabemos que eles não têm o poder directo de prolongar a detenção ou de aplicar uma pena. Neste caso, as pessoas detidas não disseram uma palavra e não assinaram nada.


Caixas multibanco, marchas e ocupações
No início das detenções, as acusações principais são: “conspiração para danos ou destruição graves e voluntários”, “danos ou destruição com fogo ou substância explosiva” e “conspiração criminosa”.
Na prática, as pessoas detidas são suspeitas de terem participado na agitação em redor do julgamento dos acusados de provocarem um fogo no centro de detenção de Vincennes, assim como em lutas contra o mecanismo de deportação. A luta tornou-se mais visível na ocupação dos escritórios da Air France e da Carlston WagonLits, nas “marchas selvagens” que incluíram colagem de autocolantes, pintadas, sabotagem de caixas multibanco (que se destacam no chibanço de imigrantes sem documentos à polícia), com a ajuda de cola, ácido, fogo e martelos, e faixas penduradas no pequeno anel Parisiense.


Isto sim, é uma investigação!
Enquanto que os procedimentos foram classificados, segundo os media, como sendo uma investigação terrorista, durante a detenção o procurador decidiu reclassificar a investigação como sendo sobre actos criminosos, removendo o termo “terrorista”.
Aquilo que está a ser alvo é a luta contra o mecanismo de deportação (e contra as pessoas que permitem que este funcione), assim como as práticas de auto-organização autónoma, e ainda acções directas e anónimas.


O uso de videovigilância por parte dos polícias
Durante os interrogatórios, foram mostrados vídeos aos acusados. Vale a pena referir que na sua maioria as imagens das câmaras (“bolas” colocadas no topo das caixas multibanco) têm boa qualidade: elevada definição, cor, possibilidade de fazer zoom... Cerca de sessenta cassetes já estão no processo. São sobretudo sobre caixas multibanco danificadas, mas também sobre colagem de autocolantes e pintadas feitas durante manifestações (contra os Hóteis Ibis, as agências postais, o BNP (banco), a “LCL”, Société Generals, Air France...). O que irá acontecer quando as prometidas 1300 câmaras forem instaladas na ruas de Paris?


Sobre as amostras de ADN
Todos os acusados recusaram fornecer amostras de ADN (assim como impressões digitais e fotografias), mas os polícias foram longe para descobrir fosse o que fosse que pudesse ter sido tocado pelos acusados: canecas, caixas de plástico, palhinhas, beatas de cigarros... e, numa mostra de grande classe, um porco chegou ao ponto de pensar recolher para análise um tampão menstrual... É possível evitar o contacto com a boca (não deixando muita saliva) com diferentes utensílios, ou esfregá-los no chão para misturar vários traços de ADN que se encontram nas celas.


Ser presente ao juíz e as condições da fiança
Após 48 horas de detenção, e 10 horas nas celas da polícia, cada um foi presente ao juíz com a presença de um advogado oficioso. Três opções eram possíveis: não dizer nada, fazer uma declaração inicial, ou responder às perguntas do juíz.
Para as 4 pessoas que por fim foram presentes a tribunal, as condições da fiança consistiram numa proibição de se verem ou se contactarem, em responderem a procedimentos legais da APPE (Association d’Aide Penale) e em não poderem deixar território nacional sem permissão do juíz.
Por fim, 4 pessoas estão neste momento sob invstigação por “conspiração para danos ou destruição”, e pessoas estão também acusadas de “danos ou destruição com fogo ou substâncias explosivas”. A procuradoria está ainda a tentar acusar uma quinta pessoa.


Travando a luta
A principal função destas detenções e interrogatórios judiciais é separar e isolar aqueles que lutam. Consiste ainda em erradicar determinados tipos de luta tão banais como colagem de autocolantes, pintadas e manifestações independentes/selvagens.
Condenar certas formas de acção com o pretexto de estas serem alvos directos da repressão só serve para aumentar as divisões que o Estado tenta impor.
Esta série de detenções, raids e acusações, à parte o trabalho de serviços secretos que é feito, é apenas mais um ataque dirigido contra qualquer tentativa de agir e destruir o que nos destrói. Tudo continua!


Lutas e rebeliões na Europa
A situação não está apenas confinada à França, dado que na Europa existem muitos actos de rebelião, nos centros de detenção e em seu redor. Para saber mais sobre as variadas lutas que actualmente está a decorrer, podes consultar os seguintes folhetos: Brûlons les frontières e Histoire de révoltes dans les centres de rétention en Europe.
Em Itália, alguns dias depois das detenções em Paris, o mesmo tipo de repressão atingiu pessoas suspeitas de participarem em lutas contra o Centro de Detenção de Imigrantes, em Turim, Lecce, Rovereto... Muitas delas foram deixadas em prisão preventiva ou em domiciliárias, outras ficaram “sob vigilância especial”.
Mas a solidariedade não reconhece fronteiras, e foi com alegria que soubémos recentemente dos ataques contra a DAB na Bélgica e em Espanha.
Não vamos chorar por causa de caixas multibanco destruídas.
A luta continua, como de costume.

Solidariedade activa/revolucionária.

Liberdade para todos, com ou sem documentos.

CULTURA = LAZER DO CAPITAL : Acção Directa dos “Vadios” no passado Sábado dia 6 de Março no Palacete Pinto Leite, Porto.



CULTURA = LAZER DO CAPITAL


Acção Directa dos “Vadios” no passado Sábado dia 6 de Março no Palacete Pinto Leite, Porto.

“Cinquenta projectos originais portugueses, de áreas como a joalharia, artes plásticas e design de moda, estiveram patentes no antigo edifício do Conservatório de Música Porto, num evento intitulado “Absolut Creative House”. Assim era descrito o evento nos quotidianos da cidade.

O convite que a Gato Vadio recebeu tinha como pretexto mostrarmos os nossos livros. Era mesmo só um pretexto.

Os tais projectos originais mostram a sua pujança criativa, induzem à vitalidade das dinâmicas alternativas, auguram mudanças de mentalidade, abrem portas jamais vislumbradas no horizonte tripeiro, revelam o seu papel vanguardista no desenvolvimento humano, avançam a pulso na conquista de espaços únicos de sublimação, geram riquezas insondáveis, instigam às iniciativas de crédito internacional, copulam aos ouvidos das empresas de rating, seduzem com o seu marketing sofisticado e falsificado os corretores decanos e as casas de correcção municipal, masturbam-se com o vazio de ideias, enfiam o império da mercadoria no clítoris e na próstata, oferecem a rodos experiências contemplativas à geração recibo verde e um absolut spread nominal aos precários entediados que aguentam a sua miséria com a mesma fatídica obediência que a carquejeira que há um século atrás carregava no lombo o carrego para o seu amo, mas agora com a luxúria do Ikea, o mito redentor e burguês da geração “tá-se bem”, e vêm-se todos às 4h da tarde lá onde nada de novo se passa.



[Na acção, “Os Vadios” colaram nas paredes de um dos corredores do Palacete os seguintes textos]:



CULTURA = LAZER DO CAPITAL


No mundo imaginário, tudo indica que o Palacete Pinto Leite será vendido à iniciativa privada. Por outras palavras, à cultura da especulação e do capital. No mundo real, nos últimos anos a cidade do Porto assistiu ao casamento de compra-e-venda e de várias núpcias entre a actual gestão camarária e a supracitada iniciativa cultural: Mercado do Bom Sucesso, Mercado do Bolhão, Mercado Ferreira Borges, Teatro Rivoli, Palácio do Freixo, Casa das Glicínias, Praça de Lisboa. À boda, acrescenta-se ainda a mais do que provável privatização dos Jardins do Palácio de Cristal.

No caso de ainda não se ter vendido, saia o mais rapidamente possível deste imóvel, ou correrá o risco de ser um bónus para o mercado imobiliário. A cidade e os cidadãos não se responsabilizam pelo comportamento da gestão autárquica.



Nota: O Conservatório de Música do Porto esteve instalado no Palácio Pinto Leite entre 1975 e 2009 formando várias gerações de músicos no país.



[Além do texto supracitado, deixámos alguns formulários para preenchimento com o seguinte conteúdo]:

Preencha já o seu Formulário!

Por quanto acha que a actual gestão camarária vai vender este edifício?

1 – Por altos interesses do município

2 – Por arrogância

3 – Para fazer uma pista de carros indoor e um museu de pilotos de cera

4 – Por amizade

5 – Por Lazer

6 – Para passar ao “mundo civilizado”

7 – Outros

8 –



[Em cima de um pedestal foi colocada uma urna para os transeuntes introduzirem o seu formulário.]

[Finalmente, no fim e em nota de rodapé, ironia à memória activa e à voracidade crítica do ambiente, indicámos duas questões colaterais…]



Notas de rodapé:

Recordamos que o actual presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, emitiu em 2006 um despacho com o fito de cortar os subsídios pecuniários a fundo perdido às instituições culturais e sociais. Os apoios a instituições culturais representavam, em anos anteriores ao supracitado despacho, investimentos entre 150 mil e 200 mil euros anuais. Em 2006 as despesas da actual gestão autárquica com a promoção da sua imagem e do seu presidente ascenderam a meio milhão de euros.

Notinha de rodapézinho:

Finalmente, a actual gestão municipal obriga desde 2006 as entidades culturais a assinar um documento em que se comprometem a não tecer comentários sobre a política autárquica na esfera dos interesses contratados como contrapartida de receberem subsídios. Medida ao bom estilo censório de figuras ímpares da demo-cracia, como Lukashenko, Amhadinejad ou o eterno Castro.





PORTO = CAPITAL DO LAZER





[Em escassos minutos, a urna ficou cheia de formulários. 100% de adesão. É uma imagem emblemática de estreiteza pseudo-activa: a consciência crítica ficou arrumada e limpa no gesto de introduzir o seu boletim de voto na urna improvisada. E o resto são cantigas, faducho e vodka absolutista. Metáfora circunstancial da democracia burguesa, do esforço ritual e impotente da maioria fingir à democracia de x em x tempo, julgando que um processo colectivo de criação baseado na democracia começa e acaba num sarcófago.

De realce, foi a expropriação do exemplar solitário da fanzine “Urro – Então e tu Orgasmo, também já és de direita?” colocada na mesa de apoio à nossa acção. Único gesto útil, sincero e livre naquele sábado, surripiando ironicamente o mais gratuito de todos os “objectos” expostos.

O segurança que vigia o edifício não tem nada a guardar de valioso. A criatividade, enquanto memória crítica, força de autonomia e pulsão libertária, há muito que disse adeus ao quarteirão. É por isso que o autarca lá puxa da calculadora para enfiar três tremoços nos miolos da nossa massa crítica.



Em breve o vídeo da acção estará disponível.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Confrontos na Prisão-Escola de Leiria

notícia retirada de pt.indymedia.org

Desde 6ª-feira que os presos do E.P. de Leiria estão sob ameaça constante, isolados nas celas, sem visitas, sem refeitório, sem banho, sem pátio, nem electricidade.

Aparentemente, por causa de um recluso se ter atrasado 1 minuto a chegar à sua cela, os guardas pretendiam retirar-lhe a sua televisão. Este preso recusou-se a entregar a tv e foi espancado!
Perante isto, muitos presos tomaram uma posição de protesto, exigindo falar com o director antes de se deixarem fechar nas celas.
A resposta da cadeia foi a "do costume": o director recusou-se ao diálogo e mandou um grupo de guardas com equipamento anti-motim espancar quem estivesse em protesto.
Nessa altura, os presos que se encontravam no refeitório ofereceram resistência aos espancamentos, pelo que os guardas abriram fogo com shotguns. Os reclusos fugiram para as celas, onde foram espancados um por um, ao mesmo tempo que todas as celas íam sendo rusgadas.
A informação que existe é a de que há inúmeros feridos no EP, nove dos quais foram transferidos para hospitais.

O resto da população prisional, incluíndo todos os outros feridos, estão fechados nas celas, na prisão de Leiria, desde 6ª-feira.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CONCERTO ANTIFA

6 de Março
Casa Viva
Pç. marquês de Pombal, 167
Porto

casa-viva.blogspot.com

6 de Março - 21h: Jantar Benefit + Festa Super-Heróis - COSA (Setúbal)


Dia 06 de Março
a partir das 21h

Jantar Benefit para a COSA + Festa dos Super-Heróis
(sê quem tu quiseres!! vem vestido a "rigor")

Na C.O.S.A.
R. Latino Coelho, nº2 -Bairro Salgado - Setúbal
(ao pé da estação dos autocarros)

Sobre o julgamento de recurso contra os anarquistas de Lecce [Itália]

A denominada operação Nottetempo começou em Maio de 2005, com a intervenção em massa da polícia, que levou à detenção de 5 anarquistas na região de Lecce (no sul de Itália) e à investigação de outros 10 por conspiração.

Os companheiros estavam verdadeiramente envolvidos de forma activa na luta contra o centro de detenção de imigrantes Regina Pacis em San Foca (Lecce), gerido pela igreja, e que encerrou antes do início da famosa operação Nottetempo. A luta real dos anarquistas locais tinha, de facto, revelado as atrocidades cometidas naquela prisão para imigrantes, a tal ponto que os operadores do centro deixaram de ser capazes de esconder a sua degradante actividade. Alguns desses operadores chegaram a ser postos em julgamento e entretanto foram para fora do país, onde continuaram o trabalho sujo e conseguiram lavar a sua reputação.

Pelo contrário, dois dos anarquistas detidos passaram dois anos na prisão, e os restantes foram postos em prisão domiciliária ou sujeitos a várias restrições. O primeiro grau do julgamento terminou em Julho de 2008: como fora impossível ao júri confirmar a existência de uma associação subversiva (artigo 270bis por conspiração), este recorreu ao artigo 416 do código penal Italiano e acusou quatro companheiros de formarem uma “associação criminosa” (crime organizado). Três outros companheiros foram acusados de crimes específicos e os outros oito foram absolvidos.

Preocupado com a carreira e ávido por uma promoção, o procurador do ministério público Lino Giorgio não se conformou com o facto de a sua teoria de uma associação anarquista clandestina ter sido rejeitada pelo júri. Por isso, algumas semanas depois, apresentou um recurso contra esta sentença de modo a que outro júri confirme a acusação de conspiração contra os anarquistas de Lecce.

A sentença do recurso era para ser lida a 10 de Fevereiro de 2010, mas uma vez mais foi adiada por o júri ir examinar mais “provas” apresentadas pelo ministério público. A intenção de acusar os anarquistas envolvidos nesta vergonhosa história de repressão é evidente, e é também evidente a que ponto os poderosos locais estão determinados a silenciar o assunto, assim como a violência e o abuso infligidos a imigrantes pelos operadores do campo de concentração Regina Pacis. Se é verdade que este já não existe, muitos outros podem ser encontrados por toda a Itália, e não só; mas a luta também está viva, a luta daqueles que, dentro ou fora destes campos de concentração, acreditam que o único destino destes lugares é o de serem destruídos juntamente com o medo, o ódio, a indiferença e o racismo fomentados pelo poder, que pretende criar o terror e incitar a uma guerra entre os explorados.

Solidariedade com os anarquistas de Lecce!
Destruamos todas as prisões!

* * * * * * * * * * * *

O mau exemplo de uma luta anti-esclavagista em Salento

No próximo 10 de Fevereiro, um mês depois das desordens de Rosarno que mostraram ao mundo inteiro as condições em que vivem os estrangeiros pobres em Itália (despojados, perseguidos, repelidos, deportados), terminará em Lecce o processo de recurso a cargo de alguns anarquistas que há alguns anos atrás se bateram contra os esclavagistas modernos.

Se na Calábria os danados da terra são vítimas da tão falada “criminalidade organizada”, na vizinha Salento o seu inferno era o famigerado CPT (centro de permanência temporária) de San Foca, o Regina Pacis. Vigiado por guardas uniformizados e gerido por benditos homens de batina, no seu interior era perpetrada uma violência tal que deixou de ser possível escondê-la, nem com muros nem com grades. Era o que era visto, dito e contado. Foi um escândalo gigantesco, e dentro dos palácios do poder gerou-se um certo embaraço. O bispo de Lecce foi obrigado a sair em defesa do responsável pelo centro - o padre Don Cesare Lodeserto -, enquanto os tribunais abriram uns quantos inquéritos. Entretanto, nas ruas, crescia a raiva. Enquanto todos os democratas de coração se manifestavam a favor da lei e das suas normas, os anarquistas defendiam a revolta contra os campos de concentração e os seus servidores.

Acabámos de ver como o Estado – aquele estado que fomenta a guerra entre pobres, aprovando leis xenófobas e incitando ao ódio racial – interveio em Rosarno para restabelecer a ordem: primeiro deportou em massa os rebeldes, depois prendeu alguns mafiosos. Em Leccefez exactamente o mesmo, mas em sentido inverso: primeiro prendeu o sacerdote autor das agressões (a Março de 2005), depois inquiriu vários anarquistas, metendo 5 na prisão (em Maio de 2005). Postos em liberdade um anos depois das detenções, estes foram de seguida condenados por “associação criminosa” e outros crimes específicos, enquanto outros foram condenados a penas menores. Hoje que o campo de concentração Regina Pacis está fechado e o padre torturador se encontra no estrangeiro em missão divina, a magistratura Salentina pretende acertar as contas com estes inimigos de todas as fronteiras. Não apenas para confirmar, mas para agravar a posteriori a sentença já infligida em primeiro grau.

Para grande parte das instituições se a revolta dos imigrantes de Rosarno representa um fogo compreensível, a dos anarquistas de Lecce constitui uma ameaça inadmissível. O escravo que se revolta à enésima agressão que lhe é feita, desde que com a sua cólera não exagere e desde que se volte a por na linha rapidamente, a ele pode-se parcialmente justificar (apenas para depois o usar como pretexto para uma deportação em massa). Aos indivíduos que recusam o papel de cidadãos passivos e indiferentes, que recusam a disciplina de qualquer partido, esses são reprimidos sem hesitação. Porque dão o mau exemplo. O Estado culpa o silêncio nos conflitos de violência privada, mas pretende que ele seja um dever cívico perante os actos de violência institucional.

Os anarquistas de Lecce fizeram aquilo que os melhores habitantes de Rosarno não tiveram a coragem de fazer. Não fecharam os olhos ao que estava a acontecer, não pediram nem esperaram por ninguém, saíram para campo aberto com o objectivo de parar directamente a infâmia em curso. E fizeram-no sem visões políticas nem hipocrisias missionárias. Viram uma humanidade em cadeia e insurgiram-se contra os esclavagistas.

Por isto querem condená-los, em Lecce, no próximo 10 de Fevereiro.
Por isto não podemos deixá-los sós.

outros inimigos de todas as fronteiras

Começou o julgamento dos anarquistas de Belgrado. Os seis companheiros foram libertados!

No dia 17 de Fevereiro, teve início o julgamento dos seis anarquistas de Belgrado detidos desde Setembro passado. As acusações de “terrorismo internacional” – punível com penas de até 15 anos de prisão – foram retiradas e serão substituídas por outras de menor gravidade, na próxima sessão a realizar no dia 23 de Março. Foi determinada a libertação sobre fiança dos companheiros, após mais de 5 meses de prisão. Dentro e fora do tribunal, várias centenas de pessoas manifestaram a sua solidariedade, tendo sido detidos dois companheiros por mostrarem cartazes de solidariedade. Ivan Savic, um dos companheiros processados, revelou ter sido torturado na prisão e forçado a assinar uma confissão.

Tadej Kurepa, Ivan Vulović, Sanja Dojkić, Ratibor Trivunac, Ivan Savic e Nikola Mitrovic – membros e colaboradores da ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção da AIT na Sérvia) – foram detidos no início de Setembro de 2009 e acusados de atirar um cocktail molotov contra a Embaixada da Grécia em Belgrado, em solidariedade com a luta pela libertação do anarquista grego Theodoros Iliopoulos.

Desde então desenvolveu-se um movimento de solidariedade que realizou protestos em mais de 25 países. Vários sectores críticos da sociedade sérvia solidarizaram-se com os anarquistas detidos e condenaram a repressão protagonizada pelo Estado Sérvio, conduzido por forças nacionalistas e pró-fascistas.

No tribunal onde os companheiros começaram a ser julgados na manhã de dia 17 viveu-se um ambiente de grande solidariedade, manifestada por delegações de secções da AIT e por anarquistas de toda a região dos Balcãs que se deslocaram a Belgrado. Também se verificou uma grande cobertura mediática do julgamento.

Apesar de a sala destinada ao julgamento ser bastante ampla, as autoridades tentaram restringir ao máximo a entrada de companheiros solidários. À entrada da sala da audiência, dois companheiros – um de nacionalidade croata e outro de nacionalidade Sérvia/Austríaca – foram detidos por afixarem um cartaz com a frase “Anarquismo não é terrorismo”. Os detidos permaneceram vários dias na prisão, os seus passaportes foram apreendidos e aguardam agora julgamento por “perturbação da justiça”, sem se poderem ausentar da Sérvia.

Os seis processados prestaram declarações durante mais de sete horas. Por volta das 15.30 ouviu-se um grande alarido vindo de dentro do tribunal. Acabava de ser anunciado que os seis companheiros seriam libertados sob fiança. Mais tarde foram igualmente informados de que as acusações de “terrorismo” seriam retiradas e substituídas por outras menos graves.

Na sessão pública realizada após a audiência, os companheiros recém-libertados informaram os presentes acerca dos maus-tratos recebidos na prisão. Ivan Savic foi mesmo torturado e forçado a assinar uma confissão.

Apesar da libertação dos companheiros a luta ainda não terminou. É necessário continuar a pressionar o Estado Sérvio até que todas as acusações que pendem sobre os seis anarquistas de Belgrado sejam retiradas.

A próxima sessão do julgamento realiza-se a 23 de Março. Para o próximo 25 de Fevereiro está já agendado um dia de acção internacional em solidariedade com os companheiros sérvios.

Fonte: ait-sp.blogspot.com

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

19, 20 e 21 de Fevereiro - Ciclo de Cinema Cronenberg no Centro de Cultura Libertária - Almada, Cacilhas





Bolhão 2008, um filme de Tiago Afonso " No Bolhão mandam os que lá estão!"


Bolhão 2008, um filme de Tiago Afonso
Filmado ao longo do ano 2008, acompanhando a tentativa de entrega do mercado à gestão privada e o debate público que suscitou, este filme procura dar voz àqueles que vivem e trabalham no Bolhão.
casa-viva.blogspot.com

praça marquês de pombal, 167 porto

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http://groups.google.com/group/casa-viva?hl=pt-PT?hl=pt-PT


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Em solidariedade com os detidos na manifestação antiautoritária e antifascista de 25 de Abril de 2007


Em solidariedade com os detidos na manifestação antifascista e antiautoritária de 25 de abril de 2007 e contra o julgamento a que estão a ser sujeitos foram colocadas hoje, dia 10 de fevereiro, várias faixas com as frases:

"Hoje como ontem continuamos na rua! Contra o julgamento da manif de 25.04.07",

" Solidariedade com os detidos na manif antifascista e antiautoritária de 25 de abril 2007" e

"Unidos e organizados sem partidos nem Estados 25.abril.07", em diferentes zonas da cidade de Lisboa.

Hoje como ontem apesar das ameaças continuamos na rua!





manifs de resistência: Início dos Jogos Olímpicos de Vancouver


http://www.youtube.com/watch?v=DoLQ6ThezTk


Actividades em Fevereiro - Espaço Terra de Nimguém, Lisboa





terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Evento fascista anti-imigração bloqueado por uma contra-manifestação em Atenas

A manifestação fascista anti-imigração convocada para Sábado em Propylea, Atenas, foi bloqueada por uma massiva contra-manifestação de anarquistas e antifascistas.
A manifestação racista contra a imigração diz-se ter sido convocada por uma mescla de grupos e partidos, como o jornal Stohos ou grupos ultra-ortodoxos cristãos.

(...)

Numa clara resposta ao slogan principal dos fascistas "Não te tornas num Grego - nasces Grego", a faixa principal desta contra-manifestação dizia: "Não nasces otário (malakas), tornas-te num otário".

notícia completa em inglês





The racist demo against immigration had been called by the Secret Services controlled pro-junta weekly paper Stohos, various ultra-Orthodox christian groups as well as a melange of other fascist groups and parties.
A week after another fascist march, that time in commemoration of some greek soldiers killed during a short-lived melee between greek and turkish naval forces in 1996, this time the fascist scum had decided to desecrate the most central academic asylum grounds of Athens: Propylea, the place where all protest marches start, a high symbol of left-wing and anarchist struggles.

The provocation was too much to be left unanswered and as early as Friday afternoon anarchist and other antifascist comrades moved to occupy the Rectorial Headquarters of Athens University which preside behind the Propylea. In its announcement the assembly formed in the building declared:

"Today, 5th of February, anarchists, anti-authoritarians and anti-fascists chose to keep the university administration building at Propylea open, as a space of mutual coordination and struggle. Our aim is the molding of ideas and counter-information ahead of tomorrow’s anti-fascist gathering, which has been called for at 11 am at Propylea. A gathering standing against the nationalist and racist rabble of fascist groups, which call for a gathering tomorrow at 3pm, at Propylea. A gathering juxtaposing the solidarity of the oppressed to the statist and para-statist pogroms against migrants. We stand hostile against institutionalised racism, as expressed via the citizenship bill, as well as those who with their misanthropic calls aim for the physical extermination of the migrants.
As the state targets spaces of resistance overall, the fascists attempt to invade a space which has come, through tough struggles, to belong to the world of freedom and resistance. We do not intend to surrender not a single square meter to the state and its para-statists.
We call every person in struggle to the open assembly at the Rectorial Hq Building tonight at 8pm under the topic of tomorrow’s anti-fascist gathering at Propylea.
NO AUTHORITY IS OUR FRIEND, NO OPPRESSED IS OUR ENEMY
THE ASYLUM DOES NOT BELONG TO THE FASCISTS, NOR THE POLICE – IT BELONGS TO THE PEOPLE IN STRUGGLE AND THE WORLD OF FREEDOM
WAR AGAINST THE STATE AND BOSSES
SOLIDARITY TO THE MIGRANTS
Open Assembly of the Rectorial Hq of the University of Athens

From 200 people originally gathered in Propylea on Friday afternoon, by Saturday noon the anti-fascist counter-demo was numbering almost 2,000.

With such an overwhelming presence at such short notice, the fascists did not dare appear in Propylea but rather opted to move their bigotry stunt in their usual gathering place, besides the Old Parliament, in Kolokotronis Square. Despite the support of the parliamentary extreme-right party LAOS and the physical presence of its deputy leader and major alien conspiracy theorist Adonis Georgiadis, the fascists did not manage to gather more than 300 scum, mostly over-aged junta relics and monarchy nostalgics but also dozens of parastate Golden Dawn members. Some less fortunate ones trying to pass near Propylea gained wounds and bruises. Riot police forces that tried to help their co-thinkers at risk were received with equal ferocity [see picture].
Efforts by antifascists to attack the pathetic fascist gathering were averted by riot-police forces that had flooded the centre of Athens since early morning blocking the streets with their armored vans.

In a clear response to the fascist main anti-immigration slogan "You do not become a greek - you are born a greek", the main banner of today's counter-demo was "You are not born a wanker [malakas], you become a wanker".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Porto - Actividades do Terra Viva sobre o 3 de Fevereiro de 1927


"Trilha Histórica do 3 de Fevereiro"
- sábado, 6 de Fevereiro - 10.30 h. Praça da Liberdade - junto à estátua


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Situação do Anarquismo no Chile - Conversas em Almada e no Porto - 4 e 5 de Fevereiro







Concertada Hard Core na KyläKancra - Sex 5 de Fevereiro






CONVITE: Livraria Letra Livre na Galeria Zé dos Bois



Para abertura deste espaço no dia 4 de Fevereiro, às 21h, convidamos todos os nossos amigos e companheiros.

Instalada num edifício do século XVIII no Bairro Alto, na rua da Barroca, a Galeria Zé dos Bois desenvolve actividades multidisciplinares da pintura ao teatro e à música. Nesta galeria a Letra Livre irá assumir um espaço livreiro nocturno dedicado à literatura, arte e ciências humanas, com especial destaque para as pequenas editoras independentes, mantendo os mesmos princípios de trabalho livreiro da Calçada do Combro. Na Letra Livre - ZDB poderão os leitores encontrar as obras de referência e, ainda, os livros proibidos, esquecidos, esgotados e escondidos, os autores malditos e os clássicos, embora previsivelmente não encontrem lá as várias toneladas do lixo editorial actual, facilmente disponível em muitos outros lugares.

A Letra Livre - ZDB funcionará de 4ª a Sábado, das 18h às 24h


Livraria Letra Livre
Calçada do Combro, 139
1200-113 Lisboa
Tel: 213461075
www.letralivre.com